


As criptomoedas transformaram o setor financeiro, operando em blockchains descentralizadas peer-to-peer (P2P). No entanto, a maioria dos investidores acede a ativos digitais através de exchanges centralizadas de criptomoedas (CEX) regulamentadas. Estas plataformas processam diariamente transações no valor de milhares de milhões de dólares, proporcionando uma ligação eficiente entre criptomoedas e moedas fiduciárias. Enquanto as exchanges descentralizadas (DEX) oferecem total transparência, as CEX funcionam off-chain, o que permite práticas como o cross trading, que podem não ser visíveis para todos os agentes de mercado.
Cross trading, no contexto das criptomoedas, consiste em corresponder ordens de compra e venda do mesmo ativo entre clientes, sem publicar esses dados num livro de ordens público. Ao contrário das operações tradicionais, em que as ordens estão acessíveis ao mercado, nas cross trades os brokers da exchange realizam estas transações fora de registo, sendo apenas as partes envolvidas informadas dos detalhes.
Os brokers ou gestores de carteira executam cross trades ao trocar diretamente criptomoedas entre duas contas sob a sua gestão. Estas operações podem decorrer em contas geridas ou mesmo entre exchanges diferentes, caso existam contrapartes adequadas. O elemento central das cross trades é a exclusão do registo no livro de ordens, mantendo a confidencialidade dos detalhes da transação.
Embora muitas CEX proíbam cross trading devido a questões de transparência, algumas plataformas permitem-no sob rigorosas condições de reporte. Nesses casos, os brokers são obrigados a comunicar todos os detalhes das transações de forma imediata para garantir o cumprimento das normas da exchange.
O cross trading cumpre várias funções no mercado de criptomoedas:
Eficiência: As cross trades são habitualmente mais rápidas e económicas do que as operações convencionais via livro de ordens, evitando taxas de exchange e acelerando a conclusão das transações.
Estabilidade de Preço: Ao manter grandes movimentos de ativos fora dos livros de ordens públicos, o cross trading reduz a volatilidade dos preços dos ativos cripto.
Oportunidades de Arbitragem: Os brokers recorrem ao cross trading para aproveitar pequenas discrepâncias de preço entre exchanges, prática designada por arbitragem.
Rebalanceamento de Carteiras: Para contas geridas, o cross trading permite reequilibrar carteiras de forma eficiente, sem afetar o mercado global.
Apesar das vantagens, o cross trading implica riscos relevantes:
Falta de Transparência: O carácter fora do livro de ordens das cross trades pode impedir os participantes de saber se estão a obter o melhor preço de mercado.
Risco de Contraparte: Os investidores dependem do broker ou gestor de carteira para garantir que a cross trade é realizada de forma lícita e justa, aumentando o risco envolvido.
Impacto no Mercado: As cross trades podem ocultar dados relativos à oferta e limitar oportunidades para outros participantes de mercado.
Supervisão Regulamentar: A transparência limitada das cross trades pode suscitar preocupações sobre manipulação de mercado, atraindo o escrutínio das entidades reguladoras.
O cross trading em criptomoedas representa uma solução de vantagens e riscos. Apesar de proporcionar eficiência e contribuir para a estabilidade dos preços, levanta questões de transparência e de formação justa de preços. À medida que o mercado cripto evolui, é crucial que traders e investidores dominem estas práticas e compreendam as suas implicações. As autoridades reguladoras e as exchanges devem garantir o equilíbrio entre estratégias de negociação vantajosas e a integridade do mercado. Como sempre, a análise rigorosa e o conhecimento aprofundado dos riscos envolvidos são fundamentais para qualquer participante no mercado de criptomoedas.
Uma cross trade é uma operação em que ordens de compra e venda do mesmo ativo se correspondem sem passar pelo mercado aberto, normalmente a um preço previamente acordado.
O cross trading é legal, estando sujeito à regulamentação. É permitido em determinados mercados sob condições específicas, com divulgação adequada e preços justos para salvaguardar os interesses dos investidores.
A cross trade consiste na troca direta de uma criptomoeda por outra, sem conversão em moeda fiduciária. Este método é, regra geral, mais rápido e económico do que as formas tradicionais de negociação.











