

Jogos blockchain consolidaram-se como uma das tendências mais relevantes do mercado de criptomoedas nos últimos anos, atraindo milhões de novos usuários ao ecossistema. Essa diversidade abrange desde estratégias por turnos, simuladores agrícolas, batalhas Battle Royale até simulações esportivas, refletindo o amplo universo dos games convencionais.
A aplicação da tecnologia blockchain nos jogos varia bastante. Alguns títulos são totalmente baseados na infraestrutura blockchain, onde cada interação representa uma transação na rede. Outros adotam modelo híbrido, integrando, por exemplo, cartas NFT e marketplaces descentralizados, mas mantendo mecânicas tradicionais de gameplay.
O segmento mais expressivo dos jogos blockchain é o GameFi, que une Gaming e Finanças Descentralizadas. Nessa abordagem, o jogador pode lucrar através do modelo Play-to-Earn, recebendo tokens, NFTs ou outros ativos digitais como recompensa por desempenho e atividades. Atualmente, as principais redes blockchain hospedam mais de 210 jogos, com cerca de 890.000 jogadores ativos diariamente, tornando esses ambientes os mais indicados para o desenvolvimento e teste de modelos inovadores de negócio GameFi.
Tokenomics, ou economia de tokens, estuda cientificamente os sistemas econômicos baseados em tokens, analisando fatores que influenciam a oferta e demanda para criar arquiteturas sustentáveis, justas e atraentes no ecossistema GameFi.
Modelos de token único utilizam apenas um ativo para todas as funções: governança, moeda interna e recompensas. Porém, isso gera um dilema: o jogador consome o mesmo token que deseja acumular, resultando em incentivos opostos.
Hoje, projetos GameFi adotam estruturas de múltiplos tokens. Em sistemas de dois tokens, o principal é voltado à governança, enquanto o secundário funciona como moeda do jogo. Essa divisão permite jogar sem sofrer com as variações de preço do token principal. Ambos os modelos podem ser sustentáveis, desde que haja distribuição justa e utilidade abrangente dos tokens no ecossistema.
Sistemas oracle atrelam transações do game ao valor real do token em moeda fiduciária, garantindo custos de entrada previsíveis. Porém, em momentos de alta volatilidade, podem prejudicar a economia interna. Preços fixos facilitam cálculos e previsões de ganhos, mas podem dificultar a entrada de novos jogadores caso os ativos valorizem rapidamente.
A distribuição dos tokens é base central de qualquer tokenomics sustentável. Os projetos dividem os ativos entre remuneração da equipe, investidores, despesas operacionais e recompensas aos jogadores.
Regra #1: Distribuições justas, favorecendo a comunidade, aumentam o engajamento e a fidelidade dos jogadores. A comunidade é o motor do sucesso e da longevidade do game.
Regra #2: O valor do token está diretamente ligado à sua utilidade prática e funcionalidades no ecossistema GameFi.
Utilidade sustentável se constrói com mecânicas variadas, que vão de moeda interna a progressão de personagens, staking para recompensas ou integração com parceiros. Essa multiplicidade de usos gera demanda real, independente da especulação.
Vesting estabelece restrições temporais à liberação dos tokens, sendo comum em rodadas privadas e investimentos. Esse mecanismo controla o fluxo de tokens no mercado e alinha os interesses dos participantes.
Regra #3: Vesting prolongado para equipe e investidores sincroniza seus objetivos com o sucesso dos jogadores e do game. Projetos sólidos empregam cliff de um ano e vesting de dois a quatro anos, garantindo liberação gradual e comprometimento contínuo.
O sucesso de longo prazo depende da qualidade do gameplay e da experiência do jogador. Mesmo com tokenomics sofisticado, mecânicas repetitivas ou pouco atraentes levam à evasão e ao fracasso do projeto.
Regra #4: Jogos blockchain precisam priorizar diversão e engajamento, acima dos ganhos financeiros.
Se o lucro é o único atrativo, o crescimento se torna insustentável, dependente da entrada constante de novos jogadores. Narrativas envolventes e storytelling criam vínculos, tornando o game um destino e não apenas uma fonte de renda. Uma lore rica conecta emocionalmente os jogadores ao universo do jogo, fortalecendo a comunidade e a retenção.
Modelos Free-to-Play vêm sendo adotados para reduzir barreiras e impulsionar a base de usuários. O Free-to-Earn permite participação gratuita, porém limita os ganhos, oferecendo caminhos escaláveis de evolução.
Regra #5: Projetos que apostam no Free-to-Play confiam na diversão e experiência do jogo como principal fator de engajamento, não apenas no incentivo financeiro.
Guildas são comunidades organizadas que colaboram para impulsionar resultados. Parcerias estratégicas com guildas consolidadas garantem acesso rápido a grandes públicos e reforçam a legitimidade do projeto. Tais alianças aceleram a adoção e fortalecem a confiança na viabilidade e sustentabilidade do game.
Axie Infinity é referência em GameFi, com um universo de pets digitais inspirado em Pokémon. Jogadores batalham, colecionam, criam e constroem reinos, acumulando tokens e fortalecendo o ecossistema. O caso ilustra princípios essenciais para design sustentável de jogos blockchain.
Axie Infinity Shards ($AXS): Token de governança e principal do ecossistema, permite staking com recompensas semanais conforme vesting, gerando renda passiva. Também atua como moeda no marketplace de NFT, facilitando negociações peer-to-peer de ativos raros. Detentores de AXS participam da governança, votando em mudanças e alocação de recursos do tesouro.
Smooth Love Potion ($SLP): Obtido exclusivamente em atividades do game, SLP é usado como moeda de reprodução. Para criar novos Axies, é preciso gastar SLP, mantendo demanda contínua. O sistema é deflacionário: SLP é destruído em cada mintagem, o que reduz a oferta e sustenta o valor do token.
Axie Infinity pratica descentralização radical com Community Treasury. Todas as receitas e taxas vão para o tesouro sob governança dos detentores de AXS, distribuindo benefícios e alinhando desenvolvedores com a prosperidade dos jogadores.
Axie Infinity alcançou adoção massiva com programas de bolsa, permitindo que jogadores patrocinem novatos com Axies iniciais. Isso reduziu barreiras de entrada e fortaleceu comunidades engajadas. Jogadores têm propriedade total dos itens e podem negociar ativos em marketplaces peer-to-peer, sem dependência da plataforma.
O projeto depende do crescimento baseado na entrada de novos jogadores. Queda na adoção pode desestabilizar o valor dos tokens e a economia do game, evidenciando o desafio de sustentabilidade do GameFi.
Axie Infinity mostra agilidade ao se adaptar ao mercado. Quando o modelo de token único ficou insustentável, a equipe introduziu $SLP e novas utilidades, ampliando o uso dos tokens. Essa inovação constante reforça a importância do desenvolvimento contínuo para a sustentabilidade e retenção dos jogadores.
O sucesso dos jogos blockchain está na priorização do design e da experiência do jogador, com elementos de DeFi como suporte. GameFi sustentável exige gameplay robusto e envolvente, criando valor de entretenimento autêntico, independente dos incentivos financeiros.
A economia interna precisa sustentar as mecânicas do jogo, mantendo sustentabilidade por meio de tokenomics equilibrado, distribuição justa e utilidade diversificada. O modelo econômico não atrai o jogador sem uma experiência de jogo superior.
A comunidade é o fator decisivo de sucesso. Jogadores permanecem fiéis a projetos que promovem comunidades engajadas, colaboração e evolução compartilhada. Jogos blockchain sustentáveis constroem comunidades sólidas, usando tokenomics como infraestrutura de apoio, e não como proposta central de valor.
GameFi integra jogos digitais e finanças descentralizadas, permitindo ao jogador obter valor real em jogos play-to-earn baseados em blockchain. Os ativos são NFTs de propriedade dos jogadores, e a economia é gerida pela comunidade.
GameFi obtém receita por meio de criptomoedas e NFTs conquistados via gameplay, negociação de ativos e competições em blockchain. Os jogadores acumulam tokens ou NFTs que podem ser convertidos em dinheiro, formando o ecossistema play-to-earn.
Axie Infinity é o destaque em potencial de ganhos, com bilhões em transações. Jogadores criam, batalham e negociam NFTs e acumulam SLP e AXS. O modelo consolidado de play-to-earn e a comunidade forte garantem sua liderança no setor.
Principais riscos envolvem vulnerabilidades em smart contracts, incertezas regulatórias e volatilidade dos tokens. Jogadores podem sofrer perdas por ataques, mudanças nas regras ou flutuações do mercado. Riscos de liquidez e tokenomics insustentável também afetam a sustentabilidade.
Jogadores recebem recompensas em criptomoedas por participar do game. Com blockchain, conquistam propriedade real dos ativos digitais, podendo negociá-los ou vendê-los. Tempo e habilidade geram valor para a plataforma e para o jogador.
GameFi proporciona propriedade real de ativos via NFTs em blockchain, permitindo negociação entre plataformas. Já os jogos tradicionais restringem a posse aos servidores. GameFi oferece oportunidades de lucro, enquanto os games convencionais focam apenas em entretenimento.





