

O alcance das blockchains vai muito além do universo digital—suas aplicações têm impacto direto no cotidiano. O Helium é referência nesse sentido, como projeto DePIN (Decentralized Physical Infrastructure Networks) inovador, que aplica tecnologia blockchain em soluções concretas para o mundo físico. Projetos DePIN utilizam sistemas descentralizados para viabilizar serviços práticos, como mapeamento de ruas, geração de energia, transporte por aplicativo e conectividade sem fio. O Helium atua especificamente em redes wireless, promovendo um ecossistema de hotspots de propriedade dos próprios usuários, permitindo que comunidades ampliem sua conexão à internet e à rede móvel sem depender das operadoras convencionais. Como enfatiza Scott Sigel, COO da Helium Foundation: "Com Helium, você cria a cobertura que deseja ver no mundo." Esse propósito fundamenta a missão da Helium de democratizar a infraestrutura de redes e dar poder para que pessoas construam sistemas essenciais de comunicação.
Fundado em 2013 por Amir Haleem, Shawn Fanning e Sean Carey, o Helium nasceu com o objetivo de criar uma infraestrutura wireless descentralizada para suportar dispositivos IoT. O projeto lançou os Helium Hotspots em 2019, que funcionam como mini torres de celular, criando redes sem fio peer-to-peer capazes de conectar dispositivos de baixo consumo por grandes distâncias. Esses hotspots operam com o protocolo LongFi, desenvolvido pelo Helium, que une o longo alcance do LoRaWAN à infraestrutura blockchain própria do projeto. Quem adquiria e hospedava hotspots recebia tokens de criptomoeda como recompensa por fornecer nós à rede. Atualmente, o Helium opera a maior rede LoRaWAN do planeta, com centenas de milhares de hotspots ativos em mais de 170 países, além de oferecer cobertura 5G em um número crescente de cidades e regiões metropolitanas dos Estados Unidos. Amelia Daly, da equipe de ecossistema da Solana Foundation, define o Helium como "a expressão máxima de um projeto DePIN", destacando o modelo colaborativo de hardware, a eficiência de custos, a propriedade coletiva, o alinhamento de incentivos e a acessibilidade democrática.
No início, o Helium operava sua infraestrutura em uma blockchain proprietária, o que trouxe desafios operacionais à medida que a rede expandia. Inicialmente, qualquer hotspot de usuário podia participar do consenso que validava o estado da blockchain, garantindo descentralização total. Com a expansão, Scott Sigel explica que essa configuração gerou vulnerabilidades, já que a maioria dos hotspots estava em residências privadas conectadas a ISPs tradicionais; uma queda generalizada de provedores poderia comprometer toda a rede. Ao ampliar a visão para se tornar uma "rede de redes"—oferecendo acesso a nós 5G para complementar a cobertura das operadoras—, a comunidade percebeu que administrar diversos padrões wireless e tokens ultrapassaria a capacidade da blockchain exclusiva do Helium. Após debates e definição de exigências essenciais—como uma rede robusta de desenvolvedores, composability, mais utilidade para os tokens e uma plataforma avançada de smart contracts—a Solana destacou-se como solução ideal. A proposta de migração foi submetida à votação comunitária, sendo aprovada por ampla maioria.
O Helium integrou-se à Solana registrando cada hotspot como um NFT, utilizando a tecnologia de compressão de estado do ecossistema Solana. A compressão de estado é um avanço que reduz o custo de emissão de NFTs comprimidos a frações de centavo, em comparação com tokens convencionais não comprimidos. Esses NFTs cumprem funções essenciais: servem como credenciais, verificam autenticidade, fornecem dados acessíveis aos desenvolvedores e permitem experiências com acesso restrito por tokens. Scott Sigel destaca que "NFTs comprimidos tornaram a migração economicamente viável em múltiplos níveis", e afirma que todo projeto pensando em grandes transferências de estado terá grande benefício com essa tecnologia. A migração ocorreu sem falhas ou contratempos, configurando uma das maiores migrações blockchain de camada 1 já realizadas, e posicionando o Helium para continuar crescendo como a maior rede wireless descentralizada do mundo.
A migração bem-sucedida do Helium para a Solana abre novas oportunidades para o crescimento de todo o ecossistema DePIN. Amelia Daly observa que "o Helium representa o primeiro negócio DePIN sobre o qual outros podem ser construídos." Já há exemplos práticos dessa sinergia no mercado. O Hivemapper, projeto dedicado a criar um mapa mundial democratizado e gerado por usuários, usando dashcams individuais como alternativa às APIs tradicionais de mapas, agora utiliza a infraestrutura Helium para validar a localização dos condutores. Ao rastrear por quais hotspots Helium cada dashcam Hivemapper transmite dados em determinado trajeto, a rede pode autenticar que os motoristas estão nos locais informados, sem armazenar dados sensíveis. Scott Sigel celebra essa evolução: "É excelente ver equipes nativas da Solana pensando em como agregar utilidade ao Helium." Essa colaboração entre a comunidade de hardware Helium e o ecossistema Solana mostra como a integração de dispositivos conectados e dados do mundo real desbloqueia possibilidades inéditas para infraestrutura descentralizada e expansão do 5G.
A migração do Helium para Solana marca um divisor de águas para infraestrutura física descentralizada e tecnologia blockchain. Ao transferir quase um milhão de hotspots para a blockchain Solana com compressão de estado, o Helium mostrou que redes descentralizadas podem escalar globalmente mantendo a viabilidade econômica. O projeto exemplifica como a blockchain pode ir além do digital e atender demandas reais de infraestrutura, permitindo que comunidades construam e sejam donas das redes que utilizam. O ecossistema interoperável da Solana, aliado à eficiência e capacidade de escala, torna a plataforma uma base estratégica para futuros projetos DePIN, inclusive soluções 5G e wireless. Como evidenciado em parcerias como a Hivemapper, a infraestrutura Helium agora serve como camada fundacional para que outros projetos descentralizados validem dados de localização e criem serviços baseados em confiança. Para o futuro, a colaboração entre Helium e Solana deve acelerar o desenvolvimento de infraestrutura wireless descentralizada e administrada pela comunidade, beneficiando empresas e usuários ao criar redes 5G mais resilientes, inclusivas e acessíveis.
Helium 5G é a expansão da Helium Network que permite aos usuários ganhar tokens MOBILE ao instalar gateways 5G por meio da rede CBRS e rádios small cell, ampliando a infraestrutura wireless da rede.
Não. Os hotspots Helium exigem configuração adequada e credenciais de acesso à rede. Somente dispositivos autorizados, com as credenciais corretas, conseguem ingressar na rede de determinado hotspot. O proprietário do dispositivo controla as permissões de conexão.
Sim, a Helium Mobile oferece um plano realmente gratuito, recompensando usuários com tokens HNT pela participação na rede. Ao contrário das operadoras convencionais, não há taxas ocultas nem cobranças obrigatórias. O serviço pode ser usado totalmente grátis, com direito a recompensas.
Adquira o dispositivo hotspot Helium 5G em lojas oficiais ou revendedores autorizados. Realize a configuração conforme as instruções, conecte à energia e internet, e registre o equipamento na Helium Network. Assim, você começa a receber tokens HNT por fornecer cobertura wireless 5G.
A Helium Mobile combina hotspots comunitários descentralizados com cobertura das operadoras tradicionais, oferecendo serviço gratuito e sem mensalidade. Utiliza blockchain e recompensa os usuários com tokens, sendo uma alternativa muito mais acessível em relação às operadoras convencionais.
HNT é o token nativo da rede Helium, responsável por promover conectividade sem fio descentralizada para dispositivos IoT e 5G. O HNT recompensa os participantes que operam hotspots e colaboram para construir o ecossistema de infraestrutura descentralizada Helium.





