
Os tokens não fungíveis (NFTs) existem desde a década de 2010, mas essas criptomoedas únicas e verificáveis só se consolidaram como força tecnológica relevante em 2021. Entre 2020 e 2021, o valor de mercado dos NFTs saltou de US$ 338 milhões para mais de US$ 11 bilhões, com algumas métricas indicando que quase ultrapassaram o mercado de arte tradicional. Com a rápida expansão desse mercado, desenvolvedores de ponta, como Vitalik Buterin, cofundador da Ethereum, passaram a explorar novos casos de uso de verificação para essa classe de tokens. De fato, Buterin desenvolveu em parceria um novo modelo de NFT, o “Soulbound Token” (SBT), para potencializar as aplicações sociais dos NFTs.
O Soulbound Token (SBT) é um dos conceitos mais experimentais do setor cripto, mas vem ganhando destaque como solução para validação de identidade individual em redes blockchain. Especialistas acreditam que Soulbound Tokens podem transformar comunidades globais e contribuir para a construção de uma “sociedade descentralizada”.
O Soulbound Token (SBT) é um ativo cripto exclusivo, intransferível e vinculado — ou “atrelado” — à carteira cripto de um usuário. O conceito foi apresentado por Buterin, E. Glen Weyl (Microsoft) e Puja Ohlhaver (conselheira estratégica da FlashBots) no artigo “Decentralized Society: Finding Web3’s Soul”. A inspiração veio dos “itens soulbound” do jogo World of Warcraft — objetos que não podem ser trocados entre jogadores.
Como esses itens, a principal característica dos Soulbound Tokens é que, após o SBT ser recebido em uma carteira cripto, o titular não pode transferi-lo ou vendê-lo. O Soulbound Token permanece vinculado à conta do proprietário, validando sua identidade ou associações em redes descentralizadas (blockchains). No universo cripto, Soulbound Tokens funcionam como selos exclusivos, crachás digitais ou certificados — não para jogos, mas para construção de identidade e credenciais descentralizadas.
Soulbound Tokens buscam oferecer uma forma segura e resiliente de comprovar reputação no ambiente Web3. Assim, SBTs estabelecem confiança no ecossistema Web3 e servem como “prova de identidade” on-chain para acesso a protocolos ou serviços específicos. Por exemplo, uma plataforma de empréstimos pode emitir um Soulbound Token sempre que o usuário quitar um empréstimo, registrando o histórico e demonstrando a “capacidade de crédito” do dono da carteira no ecossistema cripto.
A principal distinção entre Soulbound Tokens e NFTs está na transferibilidade. NFTs são negociáveis nos principais marketplaces, enquanto Soulbound Tokens não podem ser comprados, vendidos ou trocados. SBTs permanecem para sempre ligados à carteira cripto do usuário; sua função é provar “quem” é o titular da carteira, e não “o que” ele possui.
Além da intransferibilidade, Soulbound Tokens compartilham propriedades e padrões técnicos básicos dos NFTs. O histórico de transações e metadados ficam registrados em blockchain. Quem conhece o endereço de uma carteira pode consultar todos os Soulbound Tokens e NFTs nela contidos por meio de um explorador como o Etherscan.
Soulbound Tokens podem atuar como diplomas digitais, CNHs ou outras credenciais pensadas para a era Web3. Mesmo em estágio inicial de desenvolvimento, já existem propostas de uso dos SBTs para compartilhar informações pessoais e profissionais de forma segura na blockchain.
Certificações e Qualificações Educacionais: Escolas ou universidades poderiam enviar um “certificado SBT” direto para a carteira cripto do formando. Assim, o aluno preserva e compartilha seu histórico acadêmico em blockchains como Cardano ou Ethereum. SBTs educacionais podem registrar atividades extracurriculares, competências e outras credenciais — tudo gravado de maneira descentralizada e segura.
Direitos de Voto Descentralizados: Diversas aplicações descentralizadas (dApps) usam DAOs para governança democrática. Porém, a maioria recorre a “tokens de governança” fungíveis, onde “um token, um voto” favorece grandes detentores. SBTs permitem que DAOs validem fatores como tempo de contribuição ou engajamento comunitário, atribuindo o peso do voto de forma mais justa.
Proof of Attendance Protocol (POAP): POAPs são “NFTs-souvenirs” digitais para eventos como festivais, casamentos ou conferências. Embora POAPs já existam como NFTs negociáveis, emitir como Soulbound Token garante que apenas quem realmente esteve no evento mantenha o token em sua carteira.
Score de Crédito e Credenciais Financeiras: O anonimato do Web3 e a volatilidade dos criptoativos levam plataformas DeFi a exigir sobrecolateralização. Se o usuário comprovar histórico de pagamentos com Soulbound Tokens, pode obter exigências menores de colateral ou condições mais vantajosas, ampliando as oportunidades financeiras.
Prontuários Médicos: Clínicas e hospitais podem emitir Soulbound Tokens que representam consultas, vacinas ou exames. Assim, o paciente compartilha seu histórico médico verificado via endereço da carteira cripto, independentemente do local ou do prestador de serviço.
Os Soulbound Tokens despertaram entusiasmo como inovação em blockchain, mas desenvolvedores já identificam pontos de atenção para a adoção dos SBTs no ambiente cripto. Pesquisas contínuas são essenciais para avaliar benefícios e riscos.
Vantagens dos Soulbound Tokens:
Expansão da utilidade do blockchain: Soulbound Tokens permitem que usuários comprovem reputação e identidade via tecnologia Web3, liberando oportunidades dentro e fora do cripto. Seus padrões exclusivos facilitam a conexão de instituições e projetos Web3 com comunidades digitais e ampliam o uso da blockchain.
Governança descentralizada mais justa: SBTs rompem o modelo “um token, um voto” em DAOs, evitando concentração de poder por grandes investidores. Tokens vinculados ao engajamento comunitário ou histórico de contribuições favorecem quem realmente colabora e domina o ecossistema.
Redução de fraudes com NFTs: O mercado de NFTs sofre com imitações de coleções como Bored Ape Yacht Club (BAYC) ou CryptoPunks. Soulbound Tokens conferem transparência ao histórico de artistas e reduzem “mintagens de cópias”, protegendo a autenticidade de novos lançamentos.
Desvantagens dos Soulbound Tokens:
Novos riscos de segurança: Como são vinculados a uma carteira, não é possível transferir Soulbound Tokens se o usuário criar nova conta. Perda de acesso à carteira significa perder seus SBTs. Para mitigar esse risco, Buterin e outros sugerem “recuperação social”, vinculando SBTs a contatos ou instituições de confiança — mas ainda não há garantias de segurança ou confiabilidade.
Possíveis riscos de privacidade: Se hackers ou analistas associarem uma carteira à identidade real, todos os SBTs dessa conta se tornam públicos. Antes de registrar dados sensíveis — como histórico médico, CPF ou filiação política — como Soulbound Tokens, pode ser necessário implementar criptografia opcional para que o titular compartilhe informações só quando desejar.
Risco de discriminação por carteira: Os dados informados pelos Soulbound Tokens podem levar protocolos a políticas discriminatórias ou excludentes. Por exemplo, uma plataforma de empréstimos pode negar acesso financeiro básico a carteiras com SBTs que indiquem histórico de crédito ruim.
Soulbound Tokens (SBTs) representam um conceito inovador de blockchain, abrindo novas possibilidades para identidade digital e gestão de reputação no Web3. Ao contrário dos NFTs, SBTs são intransferíveis e permanentemente vinculados à carteira cripto do usuário, sendo ideais para diplomas, prontuários médicos, score de crédito e participação em votações descentralizadas.
A tecnologia Soulbound Token pode ampliar o valor prático do blockchain, promover governança mais justa e combater fraudes com NFTs. Contudo, desafios críticos sobre segurança, privacidade e discriminação ainda persistem.
Os Soulbound Tokens são experimentais. Para explorar todo seu potencial e mitigar limitações, é fundamental o desenvolvimento contínuo e avaliação criteriosa. Desenvolvedores, reguladores e comunidade precisam agir juntos para solucionar esses desafios e garantir que os SBTs cumpram o papel de base para uma sociedade descentralizada. Com implementação e segurança adequadas, Soulbound Tokens podem se tornar o alicerce da identidade digital e da confiança online.
O Soulbound Token é um ativo digital intransferível que representa a identidade social de uma pessoa. Diferente dos NFTs tradicionais, SBTs não podem ser comprados, vendidos ou transferidos e não têm valor de mercado. Foram projetados para autenticar conquistas e credibilidade pessoais.
Soulbound Tokens são usados para autenticação de identidade de criadores e verificação de propriedade exclusiva no universo da arte digital. Sua característica intransferível protege a autoria original e reforça autenticidade e exclusividade de ativos digitais.
Soulbound Tokens são intransferíveis para proteger a identidade social e a credibilidade do titular. Isso fortalece a singularidade e autenticidade do usuário, promovendo um ecossistema baseado em confiança e ética.
Você pode adquirir Soulbound Tokens em projetos ou plataformas específicas. Normalmente, estão disponíveis para mintagem gratuita, mas podem incidir taxas de rede, como gas. Os requisitos variam conforme o projeto, por isso consulte sempre fontes oficiais.
Soulbound Tokens são, em geral, seguros, mas protocolos não autorizados representam riscos. É importante priorizar soluções compatíveis com compliance, como zkBAB ou certificados Tencent, e sempre conferir a legitimidade de uma plataforma antes de utilizá-la.
Soulbound Tokens trazem comprovação de propriedade vinculada à conta, são intransferíveis e resistentes a adulteração. Comparados a credenciais digitais convencionais, oferecem autenticidade e confiabilidade muito superiores.
Soulbound Tokens vão viabilizar casos como recuperação de carteiras comunitárias, governança resistente a Sybil, mecanismos descentralizados e novos mercados de compartilhamento de direitos. A adoção já cresce para verificação de crédito individual, autenticação de associações e certificação de competências.





