

O Japão prevê lançar sua reforma tributária para criptomoedas em 2025, o que pode transformar profundamente o investimento em ativos digitais no país. A iniciativa vai simplificar o atual sistema progressivo de impostos—que pode superar 55%—substituindo-o por uma alíquota única de 20% conforme a Financial Instruments and Exchange Act (FIEA). Proposta pela Japan Blockchain Association (JBA) em julho de 2024, essa reforma busca alinhar o modelo japonês aos padrões globais e dinamizar o ecossistema nacional de Web3. A adoção de uma tributação fixa e independente para criptoativos marca uma virada que pode transformar o ambiente de investimentos no Japão.
O sistema tributário de cripto no Japão está prestes a passar por uma mudança histórica. Em vez de tratar os ganhos com criptoativos como “outras receitas”, tributadas em faixas que podem chegar a 55%, o governo pretende classificar as criptomoedas como produtos financeiros sob a FIEA. Assim, os lucros passarão a ser tributados em uma alíquota uniforme de 20%, como ocorre com ações e títulos.
A Japan Blockchain Association (JBA) apresentou formalmente essa proposta em julho de 2024, após intensa colaboração com órgãos governamentais. O novo modelo busca tornar as regras fiscais mais simples e equilibradas, reduzindo a burocracia para investidores de varejo e institucionais. Ao se alinhar aos padrões internacionais, o Japão espera estimular a inovação e atrair mais capital para seus mercados de ativos digitais.
Esse ponto de inflexão é marcante para o Web3 no Japão. Desde que as criptomoedas ganharam status legal em 2017, o país manteve uma postura regulatória conservadora e rígida. Altos impostos e regras complexas afastaram investidores, enquanto a proibição de ETFs de cripto reduziu as opções para grandes instituições financeiras. Muitos investidores institucionais migraram para o exterior e a adoção pelo varejo ficou limitada. A adoção de uma tributação fixa de 20% representaria uma evolução relevante, indicando o compromisso do governo em apoiar a expansão do Web3 e facilitar o acesso ao investimento em criptoativos.
Reduzir e simplificar as alíquotas tende a impulsionar a participação no mercado de cripto, podendo transformar o setor de ativos digitais no Japão.
Pesquisas recentes mostram que 84% dos investidores japoneses ampliariam suas posições em cripto se o regime de 20% for implementado. Esse dado demonstra como a carga tributária elevada reprimiu o mercado e como a redução pode destravar uma atividade mais intensa.
Apesar da infraestrutura tecnológica avançada, só 13% da população japonesa detém criptoativos—um percentual baixo em relação a outras grandes economias. Um cenário tributário mais atraente tende a motivar especialmente os jovens e o público mais conectado a ingressar nesse mercado.
Com a tributação fixa e a estrutura fiscal simplificada, comprar e negociar cripto ficará mais fácil e acessível, derrubando barreiras de entrada. Investidores deixarão de enfrentar impostos excessivos e burocracia complexa. Essa clareza pode atrair tanto iniciantes quanto experientes para áreas como DeFi e NFTs, estimulando inovação e volume de negócios.
O maior engajamento de investidores tende a ampliar a liquidez e reduzir a volatilidade, beneficiando a formação de preços. Com a adoção, mais projetos, startups e investidores institucionais devem buscar o mercado japonês, fortalecendo o ecossistema Web3 local.
Institucionais que evitavam o Japão devido à alta tributação podem rever sua estratégia. Uma alíquota fixa de 20% alinha o país ao mercado global, trazendo previsibilidade e competitividade para atrair mais capital ao segmento de cripto japonês.
A reforma prevê ainda a compensação de prejuízos por até três anos, ajudando investidores a abater lucros de anos anteriores—um recurso fundamental em mercados voláteis. A inclusão de derivativos como futuros e opções no modelo fiscal permite estratégias de negociação mais avançadas e melhor controle de risco.
A proposta de alíquota fixa de 20% sobre ganhos em cripto aproxima o Japão do movimento global de atração de investidores em ativos digitais. Cingapura não tributa ganhos de capital—efetivamente 0%—enquanto os Estados Unidos aplicam entre 15% e 20%, mesmo com incertezas regulatórias. A Coreia do Sul planeja uma taxa de 20% e está reavaliando a proibição de ETFs. Trocar o modelo progressivo japonês (até 55%) por uma alíquota fixa harmoniza o país com o padrão de capital gains, deixando o mercado mais interessante para varejo e institucionais.
Combinada à modernização regulatória, a reforma japonesa indica uma estratégia para transformar o país no principal polo asiático de inovação digital. Entre os pontos fortes estão regras claras via alíquota fixa de 20% e alinhamento à FIEA, possível aprovação de ETFs de Bitcoin para atrair instituições, e integração de blockchain e serviços Web3, apoiados por setor financeiro e tecnológico avançado.
Já Cingapura se destaca pelo imposto zero e licenciamento simplificado. A Coreia do Sul revisa suas políticas—incluindo acesso a ETFs e tributação—para manter a competitividade regional. O Japão terá de equilibrar compliance e inovação para liderar nesse ambiente dinâmico.
Apesar do avanço representado pela reforma, ainda existem incertezas. Investidores precisarão optar entre autodeclaração na tributação fixa e retenção automática na fonte. Muitos preferem a praticidade da retenção, mas detalhes seguem indefinidos.
O contribuinte escolherá entre tributação fixa independente (autodeclarada) ou retenção (desconto automático). A retenção é preferida por facilitar o processo. O governo deve concluir as regras até o exercício fiscal de 2026, mas pontos relevantes ainda não foram esclarecidos. Corretoras de cripto e provedores de carteiras terão papel essencial para ajudar os usuários a cumprir as novas exigências fiscais.
A reforma traz tanto a opção de tributação fixa quanto retenção automática, cada uma com impactos distintos em compliance. Na autodeclaração, o investidor calcula e informa manualmente seus lucros—exigindo controle rigoroso. Com a retenção, o imposto é deduzido automaticamente nas operações, reduzindo a burocracia. Carteiras digitais já desenvolvem ferramentas automáticas de apuração de ganhos e perdas para facilitar a declaração fiscal.
A reforma tributária japonesa pode ser um divisor de águas para a adoção do Web3, ao criar um ambiente mais amigável ao investidor. A alíquota fixa de 20%, a previsão de compensação de prejuízos e regras claras para derivativos alinham o Japão ao padrão internacional e ampliam o espaço para participação institucional. A nova tributação pode levar 84% dos investidores japoneses a aumentar suas posições em cripto, ampliando o mercado tanto para varejo quanto para instituições. Em escala global, a taxa competitiva coloca o Japão ao lado de Cingapura e Coreia do Sul como potencial hub Web3. Permanecem, porém, desafios de implementação e reporte que exigem atenção. O sucesso da nova tributação será determinante para o futuro dos ativos digitais no país.
Hoje, criptomoedas seguem um regime tributário abrangente, mas está em discussão a migração para tributação fixa independente. Se aprovada, a alíquota será de 20,315%. Segundo tendências do mercado cambial, a mudança deve acontecer após 2028.
No exercício fiscal de 2026, os criptoativos devem passar para tributação independente a uma alíquota de 20%—queda significativa frente ao modelo atual (que alcança 55%)—com possibilidade de compensar prejuízos por até três anos.
Se você obtiver um lucro de 10 milhões de ienes em Bitcoin, a alíquota aplicada varia entre 15% e 55%, conforme a renda anual. Para uma renda anual de 7 milhões de ienes, o imposto devido é de cerca de 559.450 ienes, incluindo imposto de renda, imposto residencial e o imposto especial de reconstrução.
O sistema atual pode chegar a 55%. Com a tributação fixa, os lucros de operações em cripto passam a ser tributados separadamente a uma alíquota muito inferior, reduzindo o peso fiscal sobre o investidor.
No modelo de tributação fixa independente, a compensação de prejuízos geralmente não é permitida. Após compensar ganhos e perdas, eventuais prejuízos de capital podem ser utilizados por até três anos, mas essa possibilidade é mais restrita que no regime abrangente.




