
Desde 2009, quando o Bitcoin foi lançado, o mercado de criptomoedas passou por mudanças profundas. O Bitcoin segue como principal ativo digital, mas as criptomoedas alternativas—conhecidas como altcoins—assumiram uma fatia expressiva desse mercado. A dominância do Bitcoin já chegou a aproximadamente 95% nos primeiros anos, caindo para cerca de 45% em determinados ciclos, enquanto o número de altcoins ultrapassou 10.000 ativos digitais distintos. Este guia detalhado apresenta a essência dos mercados de altcoins, seus mecanismos de funcionamento e sua relevância no ecossistema cripto atual.
Altcoin significa “moeda alternativa” ou “alternativa ao Bitcoin”, referindo-se a qualquer criptomoeda diferente do Bitcoin (BTC). O Bitcoin foi a primeira moeda digital descentralizada viável, estabelecendo a base tecnológica do blockchain para as demais criptos. Blockchain é uma rede descentralizada de computadores que transmite, valida e registra transações em um livro-razão virtual, sem controle central.
A Namecoin (NMC), lançada em 2011, foi a primeira altcoin registrada, baseada na arquitetura do Bitcoin. Já a Litecoin (LTC), segunda altcoin, conquistou maior adoção e volume. A Litecoin implementou o algoritmo Scrypt para proporcionar transações mais rápidas e taxas menores, tornando-se conhecida como a “prata” em relação ao “ouro” do Bitcoin na comunidade cripto.
O mercado de altcoins foi revolucionado em 2015, quando o Ethereum trouxe os smart contracts. Smart contracts são programas em blockchain capazes de executar tarefas complexas automaticamente, conforme instruções pré-definidas. Plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), por exemplo, permitem que smart contracts reconheçam carteiras cripto e realizem operações sem intermediários. Com essa inovação, o Ethereum facilitou a criação de novas criptomoedas em seu ecossistema, acelerando exponencialmente o crescimento do mercado de altcoins.
As altcoins utilizam blockchain como o Bitcoin, mas com mecanismos de consenso variados, além do Proof-of-Work (PoW) tradicional. No PoW, computadores chamados “nós” competem para solucionar problemas complexos, validando transações e recebendo recompensas através da mineração. Altcoins como Litecoin e Dogecoin usam PoW, mas muitas já migraram para mecanismos alternativos.
O Proof-of-Stake (PoS) é um dos destaques, em que os nós fazem “stake” da moeda nativa para validar transações e receber recompensas. Exemplos de altcoins PoS são Ethereum, Polkadot (DOT) e Solana (SOL). Independentemente do modelo de consenso, toda altcoin precisa usar blockchain para viabilizar transações P2P descentralizadas e ser considerada uma criptomoeda legítima.
Altcoins se dividem em coins e tokens. Coin é a criptomoeda com blockchain própria, como a Litecoin, que existe apenas em sua rede. Já tokens são criados em blockchains pré-existentes, como o LINK da Chainlink no Ethereum. Ambos, coins e tokens, são altcoins, pois oferecem alternativas ao Bitcoin.
Não há um número exato, mas estima-se que existam mais de 10.000 altcoins no mercado. Ferramentas como CoinMarketCap e CoinGecko permitem acompanhar os mercados de altcoins, trazendo dados atualizados sobre preços, volume de negociação e capitalização de mercado.
Outro método para medir o tamanho do mercado é a “dominância do Bitcoin”, que mostra o percentual do valor total das criptomoedas alocado em Bitcoin. Para calcular, basta dividir a capitalização do Bitcoin pelo valor total do mercado cripto e multiplicar por 100. Assim, se o Bitcoin vale US$550 bilhões e o mercado soma US$1 trilhão, a dominância é de 55%, com os outros 45% distribuídos entre as altcoins.
Cada altcoin possui riscos próprios relacionados à equipe, histórico e tecnologia. Altcoins já consolidadas e transparentes tendem a ser menos arriscadas, mas o mercado abriga muitos projetos fraudulentos. Pesquisas mostram que grande parte das ICOs em ciclos de alta anteriores era composta por golpes. Por isso, é essencial analisar liderança, whitepaper e reputação antes de investir, evitando ativos sem valor.
Além do risco de fraude, altcoins normalmente apresentam volatilidade maior que o Bitcoin. Estudos mostram que a volatilidade do Bitcoin é menor do que a da maioria das altcoins, incluindo Ethereum e Dogecoin. O desvio padrão mede o quanto o preço oscila em relação à tendência central. Altcoins (exceto stablecoins) possuem desvios padrão mais altos, sofrendo maiores oscilações.
Outros riscos envolvem a liquidez reduzida, dificultando a venda ou conversão rápida das altcoins ao preço desejado. Altcoins também podem apresentar comportamentos de mercado imprevisíveis, com pouca correlação com ativos cripto consolidados. Mudanças regulatórias podem impactar de forma significativa o valor desses ativos. O investidor deve ponderar todos esses fatores e avaliar seu perfil antes de se expor ao mercado de altcoins.
Compreender os mercados de altcoins exige conhecer suas diferentes categorias, cada uma com funções específicas na economia digital. Os principais tipos são:
Stablecoins são criptomoedas atreladas a ativos de reserva, como moedas fiduciárias ou metais preciosos. USDT (Tether) e USDC (Circle) são exemplos que acompanham a cotação do dólar americano. Em geral, emissores de stablecoin mantêm reservas em caixa ou equivalentes para garantir o valor do ativo, mas a ausência de regulação e auditorias externas em muitos casos impede garantir a real existência desses lastros. Mesmo assim, a baixa volatilidade torna as stablecoins instrumentos populares para entrada e saída do mercado.
Tokens não fungíveis (NFTs) são tokens com endereços blockchain que comprovam propriedade de arquivos digitais únicos, como imagens, itens de jogos ou vídeos. Os NFTs ganharam notoriedade com coleções PFP (profile picture) populares, como CryptoPunks e Bored Ape Yacht Club (BAYC).
Payment coins são moedas voltadas para pagamentos P2P, como Litecoin, Bitcoin Cash (BCH) e Dash (DASH), que oferecem transações mais rápidas e baratas que o BTC.
Security tokens representam participação em empresas, ETFs ou fundos imobiliários (REITs). Diferente das demais, emissores precisam registro em órgãos como a SEC dos EUA e só podem negociar em plataformas autorizadas.
Privacy coins funcionam como moedas de pagamento, mas ocultam todo o histórico de transações na blockchain, usando algoritmos criptográficos avançados. Destacam-se Monero (XMR) e ZCash (ZEC).
Exchange tokens são emitidos por plataformas centralizadas ou descentralizadas e concedem benefícios exclusivos aos usuários em seus respectivos ambientes.
Meme coins são criptomoedas baseadas em memes virais, como o famoso Shiba Inu do “Doge”, que originou Dogecoin (DOGE) e Shiba Inu (SHIB).
Governance tokens dão direito de voto em decisões de projetos descentralizados. Detentores podem travar tokens em smart contracts para participar das votações em dApps. Exemplos: UNI da Uniswap, LDO da Lido Finance e AAVE da Aave.
O ranking das altcoins é dinâmico, mas é possível acompanhar as mais relevantes em plataformas como CoinMarketCap, que classifica as líderes por capitalização de mercado. Estar atento ao mercado de altcoins envolve conhecer os projetos que mantêm protagonismo ao longo do tempo.
Ethereum (ETH), criado por Vitalik Buterin, é um blockchain Proof-of-Stake que serve de base para dApps. Com smart contracts, os dApps do Ethereum funcionam sem necessidade de gestores centralizados ou intermediários, ao contrário de aplicações Web tradicionais. O Ethereum permanece entre as maiores criptomoedas do mundo em valor de mercado.
Tether (USDT) foi lançado em 2014 e é a stablecoin em dólar mais antiga e negociada, lastreada em reservas. O USDT é um dos ativos mais líquidos, operando em diferentes blockchains como Ethereum, Tron e Avalanche. A iFinex, de Hong Kong, controla a Tether Limited (emissora do USDT) e uma importante exchange centralizada.
USD Coin (USDC) é outra stablecoin de dólar, disponível em blockchains como Ethereum, Solana e Avalanche. Emitida pela Circle, o USDC mantém transparência com provas regulares de reservas e auditorias externas, incluindo parcerias com a Deloitte.
Desde o surgimento do Bitcoin, as altcoins mudaram radicalmente o mercado de criptomoedas. De uma presença marginal, passaram a ocupar grande parte do valor total do setor, evidenciando inovação e diversidade. Compreender o mercado de altcoins é reconhecer desde stablecoins que trazem estabilidade até NFTs que representam ativos digitais únicos, payment coins que tornam transações mais eficientes e governance tokens que possibilitam decisões descentralizadas.
Apesar do potencial, o mercado de altcoins tem seus riscos: volatilidade, fraudes, baixa liquidez e incerteza regulatória exigem pesquisa e análise criteriosa de perfil de risco. Projetos consolidados como Ethereum, Tether e USD Coin provaram valor e confiabilidade, mas o universo das altcoins segue dinâmico e imprevisível.
Com a evolução da tecnologia blockchain e o surgimento de novos usos, o mercado de altcoins continuará definindo o futuro da economia digital. Essas criptomoedas alternativas devem seguir fundamentais na transformação da relação com a descentralização. Conhecer seus mecanismos, categorias e riscos permite navegar melhor por esse ambiente e tomar decisões informadas na criptoeconomia. O mercado de altcoins representa inovação, diversidade e oportunidades, indo além da ideia original do Bitcoin.
O mercado de altcoins inclui todas as criptomoedas que não são o Bitcoin. São moedas digitais alternativas, com funcionalidades e propostas distintas. Representam múltiplos projetos e tecnologias blockchain com diferentes aplicações.
As cinco principais altcoins são Solana, XRP, Cardano, Avalanche e Pepeto. Essas criptomoedas lideram em volume de negociação e adoção, reconhecidas por fundamentos sólidos e grande potencial de crescimento.
O valor de 1 altcoin depende do token em questão. Em dezembro de 2025, os preços vão de frações de centavo a milhares de dólares. Consulte plataformas de preços em tempo real para saber o valor de cada altcoin de interesse.
Sim, altcoins podem oferecer alto potencial de valorização para quem pesquisa e diversifica a carteira. Muitos projetos emergentes apresentam fundamentos sólidos e inovação, podendo superar ativos tradicionais nos próximos anos.




