
Automated Market Makers (AMMs) são uma inovação essencial nas finanças descentralizadas, revolucionando o modo como criptomoedas são negociadas nas exchanges descentralizadas. Essa estrutura algorítmica foi um dos pilares da expansão do DeFi, com a infraestrutura digital dos AMMs impulsionando o número de contas de usuários de apenas 189 nos estágios iniciais para milhões de participantes ativos, enquanto o volume acumulado de negociações comprova a robustez desse mecanismo digital de formação de mercado.
Market making é a atividade de garantir liquidez para plataformas de negociação, tornando possíveis transações rápidas e eficientes. Em exchanges centralizadas tradicionais (CEXs), o market making ocorre através de livros de ordens que registram todas as operações e conectam compradores e vendedores. Essas plataformas atuam em parceria com empresas especializadas ou traders de grande volume, conhecidos como market makers, que fornecem grandes quantidades de ativos cripto à plataforma.
Market makers são remunerados pelo spread entre compra e venda (bid-ask spread), ou seja, a diferença entre o maior preço que compradores estão dispostos a pagar (bid) e o menor preço que vendedores aceitam (ask). Por exemplo, se o Bitcoin tem preço de compra de US$24.997 e preço de venda de US$25.000, o market maker recebe um spread de US$3 por moeda. Esse sistema permite que os traders realizem operações rapidamente, com pouca ineficiência de preço, conhecida como slippage.
Automated Market Makers são protocolos algorítmicos que eliminam intermediários do processo de formação de mercado. Ao contrário das plataformas centralizadas, que dependem de livros de ordens e market makers profissionais, exchanges descentralizadas que utilizam AMM empregam smart contracts para validar transferências peer-to-peer de criptomoedas diretamente entre negociadores.
A automação acontece por meio de smart contracts executados em blockchains que suportam contratos inteligentes, como Ethereum, Cardano e Solana. Esses protocolos AMM realizam condições pré-programadas de forma automática. Por exemplo, um smart contract pode ser programado para transferir cinco Ethereum para uma wallet específica quando um trader depositar 10.000 USDC. Assim que o depósito é detectado, o contrato executa a transferência de forma automática, sem necessidade de intervenção humana ou controle centralizado.
Mesmo com a negociação automatizada por smart contracts, plataformas digitais AMM ainda precisam de reservas reais de criptomoedas para que usuários possam negociar. É nesse contexto que os provedores de liquidez (LPs) são fundamentais. Diferente das plataformas centralizadas, que dependem de grandes empresas de trading, exchanges descentralizadas baseadas em AMM democratizam o acesso ao market making, permitindo que qualquer trader cripto se torne um provedor de liquidez.
Provedores de liquidez depositam seus ativos digitais em pools de liquidez, assumindo o papel que market makers profissionais desempenham nas plataformas centralizadas. Em troca, os LPs recebem parte das taxas de negociação ou recompensas em tokens. Essa dinâmica cria uma relação vantajosa: traders se beneficiam da liquidez disponível enquanto provedores obtêm renda passiva pelos ativos depositados.
Plataformas AMM utilizam diferentes algoritmos para manter o equilíbrio nos pools de liquidez, sendo o Constant Product Market Maker um dos modelos mais populares. Adotado por plataformas descentralizadas líderes, esse modelo usa a fórmula matemática x*y=k, onde "x" é a quantidade da primeira criptomoeda, "y" é a quantidade da segunda, e "k" é um valor constante.
Para exemplificar, considere um pool de liquidez ETH/USDC, com Ethereum negociado ao preço de mercado. O provedor de liquidez deve manter uma proporção de valor 50/50, depositando quantidades equivalentes de ETH e USDC para manter o equilíbrio.
A sofisticação matemática da fórmula Constant Product aparece durante as negociações. Se o pool tem 50 ETH e 100.000 USDC, o valor de "k" é 5 milhões (50 × 100.000). Se um trader compra um ETH depositando 2.000 USDC, o algoritmo do AMM calcula o novo equilíbrio: o pool passa a ter 49 ETH, e o USDC deve ser igual a 102.040,816 para manter o produto constante. Isso faz com que o preço do ETH seja ajustado automaticamente para US$2.040,816, refletindo a redução da oferta. O AMM recalcula esses valores a cada transação, ajustando os preços conforme oferta e demanda.
O modelo AMM apresenta vantagens que explicam sua popularidade no ecossistema DeFi. Essas vantagens abordam questões como centralização, acessibilidade e oportunidades de ganhos nas negociações de criptomoedas.
O controle total dos ativos é um grande diferencial. Plataformas descentralizadas AMM permitem que traders mantenham 100% do controle sobre seus ativos digitais durante as negociações. Como as operações ocorrem entre wallets de autocustódia via smart contracts, o usuário não entrega a custódia a terceiros, eliminando o risco de contraparte das plataformas centralizadas.
Acesso facilitado para novos projetos blockchain é outro benefício importante. Projetos cripto emergentes não dependem de listagem em plataformas centralizadas ou de investimento de fundos de venture capital para entrar no mercado. Desenvolvedores com habilidades básicas em programação blockchain podem lançar e promover seus tokens de forma independente em plataformas AMM, promovendo inovação no setor.
Oportunidades democratizadas de market making permitem que qualquer investidor cripto obtenha renda passiva. Qualquer pessoa com uma crypto wallet pode ser provedor de liquidez ao depositar ativos em pools. Apesar dos riscos do DeFi, como falta de seguro e vulnerabilidades de segurança, a chance de ganhar taxas de negociação é uma fonte de renda inovadora, antes restrita a market makers institucionais.
Apesar de inovadores e cada vez mais populares, plataformas AMM apresentam desafios e limitações que devem ser considerados pelos usuários.
Grande dependência de arbitragem pode gerar ineficiências. Como plataformas AMM não usam livros de ordens, dependem de traders de arbitragem para identificar e corrigir diferenças de preços entre exchanges. Se ETH é negociado a preços distintos em várias plataformas, arbitradores precisam agir para equilibrar o mercado. Essa dependência de agentes externos para garantir preços corretos é uma fragilidade em relação aos sistemas tradicionais.
A dificuldade para grandes ordens sem liquidez suficiente traz desafios para investidores institucionais. Sem livros de ordens, é complicado realizar ordens limitadas em preços específicos. Além disso, negociações de grande porte podem alterar significativamente o equilíbrio do pool, causando slippage elevado, ou seja, diferença entre o preço esperado e o preço final da execução.
A perda impermanente é um risco particular para provedores de liquidez. Como a proporção de ativos no pool muda constantemente com as negociações, o LP pode retirar uma quantidade diferente da que depositou. Se um LP deposita valores iguais em ETH e USDC, e o ETH valoriza muito, ele terá menos ETH e mais USDC ao sacar. O LP perde a oportunidade de ganhar com a valorização do ETH, já que o rebalanceamento do pool reduz a quantidade de ETH. Para compensar, as taxas de negociação recebidas devem superar essa perda impermanente.
A vulnerabilidade a golpes e projetos fraudulentos é uma preocupação relevante. A característica permissionless das plataformas AMM facilita o lançamento de tokens legítimos por startups, mas também permite a criação de tokens fraudulentos por agentes maliciosos. A falta de pesquisa adequada pode levar a perdas financeiras em plataformas DeFi, reforçando a importância da análise criteriosa antes de negociar em AMMs.
Automated Market Makers são uma inovação disruptiva nas finanças descentralizadas, mudando o paradigma da negociação de criptomoedas ao eliminar intermediários tradicionais por meio de algoritmos e smart contracts. O modelo AMM democratiza o acesso ao market making, permitindo que qualquer investidor cripto seja provedor de liquidez e garantindo que traders mantenham a custódia total dos ativos durante as operações.
Porém, essa abordagem inovadora envolve riscos importantes. A dependência da arbitragem para formação de preços, o risco de perda impermanente, o slippage elevado em grandes ordens e a vulnerabilidade a golpes exigem que os usuários avaliem cuidadosamente os riscos antes de operar em plataformas AMM. Com a evolução do DeFi, entender os benefícios e limitações dos AMMs é fundamental para quem participa do universo das negociações descentralizadas de criptomoedas. Embora AMMs tenham sido catalisadores do crescimento do DeFi, modelos alternativos como sistemas híbridos de livros de ordens continuam surgindo, oferecendo novas formas de equilibrar descentralização, eficiência e experiência do usuário nos mercados digitais de criptoativos.
Um Automated Market Maker (AMM) utiliza pools de liquidez para permitir negociações diretas de tokens sem livros de ordens. Ele aplica fórmulas matemáticas para definir preços com base no saldo de tokens no pool. Conforme as operações acontecem, a proporção de tokens muda, ajustando automaticamente os preços para manter o equilíbrio e minimizar o slippage nas negociações.
O AMM (Automated Market Maker) garante liquidez no ecossistema de finanças descentralizadas e viabiliza a negociação automática de ativos digitais sem intermediários tradicionais, permitindo trocas eficientes de tokens por meio de smart contracts.
Os principais riscos dos AMMs são impacto de preço em grandes negociações, slippage na execução, perda impermanente para provedores de liquidez e exploração por arbitragem. Esses fatores podem gerar perdas financeiras relevantes para usuários e LPs.
Um AMM em XRP é um sistema automatizado que facilita negociações sem intermediários, usando algoritmos para casar ordens e garantir liquidez permanente para os pares de negociação de XRP.





