


As taxas de rede são um dos temas mais debatidos no universo blockchain, especialmente na Polygon Proof-of-Stake. Compreender os mecanismos por trás das variações do preço do gas é essencial para quem deseja garantir acessibilidade e usabilidade na rede, seja usuário ou desenvolvedor.
Em investigações recentes, pesquisadores de blockchain receberam diversos relatos sobre picos anormais nas taxas de transação em soluções Layer 2. Usuários reportaram taxas superiores a 4 MATIC, quando a mediana deveria estar em torno de 0,05 MATIC. Essa diferença expressiva motivou análises detalhadas para apurar as causas desses desvios em várias redes blockchain.
A análise concentrou-se em períodos específicos de congestionamento. A equipe de engenharia constatou que menos de 0,03% das transações tinham taxas acima de 4 MATIC, sinalizando que tarifas altas são exceção, não regra. Ao examinar e filtrar os dados, os pesquisadores identificaram cerca de 1.340 transações fracassadas com preço de 1 MATIC ou mais, sendo 98% de um único smart contract. Essas transações custavam cerca de 60 vezes mais que o padrão, sugerindo uma conduta intencional e atípica.
Utilizando exploradores blockchain, ferramentas de análise e serviços de inteligência, foi identificado que o smart contract executava arbitragem: comprava ativos em exchanges descentralizadas por valores mais baixos e revendia em outras plataformas com preços mais altos. Essa estratégia buscava lucrar com diferenças de preço, contribuindo, em tese, para maior eficiência de mercado. Os operadores implementaram um proxy contract para atualizar o bytecode sem alterar o endereço e financiaram vários bots para interagir com o mecanismo. Os bots competiam enviando transações idênticas ao mesmo tempo, criando um efeito de rede coordenado. Estima-se que, em alguns meses, a operação tenha extraído aproximadamente US$230.000.
Maximal Extractable Value (MEV) é o valor máximo extraído da produção de blocos além das recompensas e taxas padrão, por meio da inclusão, exclusão ou reordenação de transações. MEV engloba atividades como arbitragem em DEX, liquidações, sandwich trading e operações com NFT. Compreender o MEV é central para explicar por que certos smart contracts investigados recorreram ao envio massivo de transações para otimizar as taxas MATIC.
Na Polygon e em outras Layer 2, o MEV resulta principalmente em Priority Gas Auctions (PGAs). Nesses leilões, bots disputam o espaço nos blocos, aumentando progressivamente as taxas para garantir prioridade. Isso gera efeitos negativos, com picos de gas que prejudicam o usuário comum — é o chamado “MEV negativo”, que deteriora o ambiente e encarece as taxas MATIC para todos.
Por outro lado, há atividades de MEV legítimas. Operações de arbitragem, que garantem melhores preços de tokens nas DEXs, agregam valor real. No caso dos contratos de arbitragem, o alto throughput e o baixo custo da Polygon PoS tornaram o envio massivo de transações economicamente justificável. Embora o spam inicial resulte em perdas devido ao gas, espera-se que o lucro acumulado na arbitragem compense esse gasto ao longo do tempo.
Para mitigar o impacto negativo do MEV, desenvolvedores investem em várias frentes: análises aprofundadas para quantificar os efeitos do MEV na Polygon PoS e no ambiente Layer 2; e o conceito de Proposer-Builder Separation (PBS), que separa a ordem das transações do processo de proposição de blocos, reduzindo a possibilidade de validadores manipularem sequências para benefício próprio. Esse modelo cria canais dedicados para bots, reduzindo spam, front-running e sandwiching, ao mesmo tempo que incentiva práticas de MEV que beneficiam o usuário.
O EIP-1559 trouxe uma evolução fundamental para o mercado de taxas em blockchain, impactando diretamente a estrutura de custos da Polygon e as taxas de gas MATIC. Antes de sua adoção, as taxas eram definidas em leilões de preço, forçando os usuários a oferecer valores para que validadores processassem suas transações — o que gerava custos imprevisíveis, pagamentos em excesso e confirmações demoradas. A experiência era pouco confiável.
Com o EIP-1559, a estrutura passou a ser bifurcada: base fee (valor mínimo para inclusão em bloco, ajustado em ±12,5% conforme o congestionamento) e priority fee (gorjeta para incentivar validadores). O base fee é queimado, saindo de circulação, e só a gorjeta vai para o validador. Isso trouxe estabilidade e previsibilidade às taxas MATIC.
Importante: o EIP-1559 não reduziu o preço médio do gas, mas tornou as estimativas mais precisas e diminuiu o risco de sobrepreço. Agora, o usuário estabelece um teto de taxa e uma gorjeta, evitando penalizações do modelo anterior quando o congestionamento diminui.
O cálculo da base fee segue uma sequência geométrica. O ajuste por bloco depende do uso de gas frente ao alvo. Quando os blocos estão cheios, a base fee pode variar em ±6,25% por bloco na Polygon PoS — metade da variação do Ethereum, por conta do denominador maior na Polygon.
Nas investigações de congestionamento, pesquisadores observaram aumentos acentuados da base fee em períodos curtos. Como cada bloco cheio eleva a base fee em 6,25% e a Polygon produz blocos cerca de seis vezes mais rápido que o Ethereum (2 segundos contra 12), as taxas MATIC podem subir muito rapidamente.
Para suavizar essas oscilações, desenvolvedores estudam ajustes como redução do ElasticityMultiplier ou aumento do BaseFeeChangeDenominator, o que atenuaria as variações da base fee, garantindo mais estabilidade mesmo nos horários de maior uso e reduzindo picos nas taxas MATIC.
As investigações sobre picos nas taxas de gas mostraram como MEV, bots e as regras do EIP-1559 se interligam. Redes coordenadas de bots de arbitragem enviaram grandes volumes de transações para buscar prioridade, gerando externalidades negativas e encarecendo o gas MATIC para outros usuários. Este caso revela a complexidade do DeFi e destaca a importância de uma gestão ativa da rede.
Os desenvolvedores buscam múltiplas soluções para garantir acessibilidade e usabilidade no longo prazo. Ajustes nos parâmetros do EIP-1559, como ElasticityMultiplier e BaseFeeChangeDenominator, vão reduzir a volatilidade da base fee em períodos de alta demanda. Simultaneamente, iniciativas para medir o impacto do MEV e implementar a arquitetura Proposer-Builder Separation vão mitigar externalidades negativas, mantendo mecanismos de arbitragem benéficos. Com essas medidas, as plataformas blockchain pretendem criar ecossistemas justos, seguros e acessíveis, promovendo a adoção em massa do Web3.
Não. A Polygon possui taxas de gas muito mais baixas que o Ethereum, geralmente frações de centavo por transação. Isso a torna ideal para interações frequentes e de baixo custo na blockchain.
O Ethereum costuma apresentar as taxas de gas mais elevadas entre as principais blockchains, devido ao grande volume de transações e congestionamento. Porém, essas taxas variam conforme a demanda e podem oscilar bastante entre redes e períodos diferentes.
Nano (XNO) e Iota (IOTA) não cobram taxas de gas, enquanto Bitgert (BRISE) e Tron (TRX) apresentam taxas mínimas. Soluções Layer 2, como a Polygon, também oferecem custos muito inferiores ao Ethereum principal.
Na mainnet da Polygon PoS, a prioridade mínima de fee é de 30 gwei. Esse valor é obrigatório para envio de transações e assegura o processamento adequado.
Agrupe operações em uma única transação, use soluções Layer 2, otimize o código dos smart contracts, prefira horários de menor movimento e utilize ferramentas de otimização do preço do gas para cortar custos.
As taxas são calculadas multiplicando o preço do gas pelo limite de gas, pagos em MATIC. Os custos normalmente variam de US$0,0005 a US$0,01, muito inferiores aos do Ethereum, graças ao design otimizado da Polygon.





