

Sim, ainda se pode minerar Bitcoin atualmente, mas o setor mudou radicalmente face ao início, quando qualquer pessoa podia participar com um computador comum.
A mineração de Bitcoin passou de um passatempo doméstico para uma indústria altamente sofisticada, dominada por instalações dedicadas e hardware industrial. Esta transição reflete o aumento das exigências computacionais e a forte competitividade do ecossistema.
A recompensa de bloco está atualmente fixada em 3,125 BTC após o mais recente halving, e a dificuldade da rede continua a subir devido à entrada constante de novos mineradores em todo o mundo. Esta redução nas recompensas marca uma alteração profunda no modelo económico da mineração de Bitcoin, tornando a eficiência e o controlo dos custos elementos centrais.
Minerar sozinho um bloco completo pode demorar anos para quem utiliza equipamento comum—se sequer for possível. A probabilidade de sucesso na mineração individual reduziu-se fortemente devido ao crescimento exponencial da hashrate da rede. Atualmente, a perspetiva realista para obter recompensas passa por integrar um pool de mineração, onde milhares de mineradores unem capacidade computacional para aumentar as hipóteses de encontrar blocos.
A rede Bitcoin processa, em média, um bloco a cada 10 minutos, mantendo este ritmo através de ajustes regulares de dificuldade. Com a hashrate global a ultrapassar os 600 EH/s, a concorrência é máxima e cada minerador deve ponderar cuidadosamente a viabilidade económica da sua atividade.
A mineração individual permanece tecnicamente possível, mas a rentabilidade depende inteiramente do acesso a eletricidade barata, do investimento em hardware adequado e do controlo rigoroso dos custos operacionais. O nível de entrada tornou-se muito mais exigente, sendo necessário capital significativo e conhecimento técnico para operar de forma competitiva.
Os mineradores ASIC (Application-Specific Integrated Circuit) são agora indispensáveis para quem pretende minerar Bitcoin de forma competitiva. Estes dispositivos dedicam-se exclusivamente ao algoritmo SHA-256 do Bitcoin, atingindo níveis de eficiência inalcançáveis pelo hardware informático genérico.
O avanço da tecnologia ASIC tornou obsoletos os métodos anteriores de mineração. Modelos como o Antminer S21 Pro (234 TH/s) ou o Whatsminer M66S (298 TH/s) definem o padrão do setor, com taxas de hash impensáveis há poucos anos. Estes equipamentos são otimizados para executar exclusivamente cálculos SHA-256 com a máxima eficiência.
O investimento por unidade varia entre 2 000$ e mais de 10 000$, consoante modelo, eficiência e condições de mercado. Os modelos topo de gama oferecem melhor eficiência energética, o que é determinante para a rentabilidade a longo prazo. Este investimento inicial representa um obstáculo relevante para pequenos mineradores, mas é obrigatório para quem quer competir.
A resposta à questão "ainda se pode minerar bitcoin com gpu" é inequívoca: não de forma rentável. As GPU não conseguem acompanhar o desempenho dos ASIC na mineração de Bitcoin devido à evolução especializada do hardware. Apesar de as GPU continuarem válidas para outras criptomoedas com algoritmos diferentes, a mineração de Bitcoin já ultrapassou essa possibilidade. A discrepância de hashrate entre as melhores GPU e os ASIC mais básicos torna economicamente inviável a mineração de Bitcoin com GPU.
Os mineradores ASIC requerem fontes de alimentação (PSU) especializadas, com capacidade pelo menos 20% superior ao consumo contínuo do equipamento, garantindo estabilidade operacional e maior durabilidade. Esta margem protege contra picos de energia e assegura que a PSU trabalha a temperaturas seguras.
A maioria das PSU opera entre 200-250VAC, exigindo que a instalação elétrica doméstica tenha capacidade suficiente e, por vezes, seja adaptada por profissionais. Os circuitos residenciais comuns podem não suportar o consumo elevado e duradouro exigido pela mineração. É fundamental consultar um eletricista qualificado antes da instalação, para garantir conformidade legal e segurança.
Uma instalação típica de mineração consome entre 3 000 e 3 500 watts de forma contínua—o equivalente a operar vários aparelhos de ar condicionado em simultâneo. Este consumo afeta a infraestrutura elétrica e, normalmente, exige circuitos dedicados. Conhecer a capacidade do seu sistema elétrico é essencial para evitar sobrecargas e riscos de incêndio.
O preço das PSU varia entre 50$ e 300$, e as versões mais eficientes reduzem o desperdício energético e os custos operacionais ao longo do tempo. Apostar em fontes de alimentação com certificação 80 Plus Gold ou Platinum pode ter um impacto relevante na rentabilidade, devido à redução das perdas de energia. A eficiência reflete-se em contas de eletricidade mais baixas e menor produção de calor.
O equipamento de mineração produz calor em grande quantidade durante o funcionamento, tornando obrigatórias soluções de arrefecimento para proteger o hardware e manter o desempenho. Sem um arrefecimento eficiente, os ASIC rapidamente sobreaquecem, reduzindo a taxa de hash, danificando os componentes e encurtando a vida útil dos equipamentos.
Soluções básicas de arrefecimento, como ventoinhas industriais, custam entre 50$ e 500$, enquanto sistemas avançados por imersão podem exceder os 10 000$ em contexto doméstico. A escolha depende da escala, temperatura ambiente e espaço disponível. O arrefecimento por ar é predominante em operações de pequena e média dimensão; já os grandes operadores recorrem cada vez mais ao arrefecimento por imersão pela sua eficiência.
Ligações Ethernet com fios garantem maior estabilidade, velocidade e menor latência do que o Wi-Fi na mineração. A operação exige comunicação de rede contínua para receber tarefas e submeter soluções. Qualquer interrupção de rede traduz-se em tempo perdido e menor rendimento.
Sistemas de monitorização de temperatura permitem vigiar o calor e prevenir danos, alertando para limites perigosos. Operações modernas utilizam software de monitorização avançado, que controla vários parâmetros ambientais e pode desligar o equipamento automaticamente se necessário.
Protetores contra picos protegem o hardware de flutuações elétricas. Geradores de reserva asseguram continuidade em caso de falhas de energia, podendo acrescer 500$-5 000$ ao investimento inicial, conforme a capacidade. Em operações sérias, fontes de alimentação ininterrupta (UPS) oferecem proteção adicional durante interrupções curtas.
O software de mineração faz a ligação entre o hardware e a rede Bitcoin, bem como com os pools, funcionando como interface entre os ASIC e a blockchain. É responsável por distribuir tarefas, monitorizar o desempenho e submeter soluções de bloco.
CGMiner e BFGMiner são opções populares, ambos open-source e compatíveis com várias configurações de hardware. Permitem grande personalização para utilizadores experientes e são acessíveis a iniciantes. Alternativas como BraiinsOS otimizam diretamente modelos ASIC ao nível do firmware.
Para receber pagamentos regulares, a maioria dos mineradores individuais deve aderir a pools, pois a taxa de sucesso em mineração a solo é muito baixa com a dificuldade atual. Os pools agregam o hashrate de milhares de participantes, aumentando a frequência da descoberta de blocos e tornando os rendimentos previsíveis.
Os pools cobram normalmente comissões entre 1% e 2,5%, distribuindo as recompensas de acordo com o poder computacional de cada minerador, por diferentes métodos de pagamento. Os esquemas mais comuns incluem Pay Per Share (PPS), Full Pay Per Share (FPPS) e Pay Per Last N Shares (PPLNS), cada qual com diferentes níveis de risco e retorno.
É indispensável uma carteira Bitcoin para receber as recompensas—carteiras hardware oferecem máxima segurança para armazenamento a longo prazo. A escolha entre carteiras quentes para uso diário e armazenamento a frio para segurança é relevante para os mineradores. Muitos operadores mantêm carteiras separadas para operações do dia a dia e para as detenções de longo prazo.
A rentabilidade depende sobretudo de três fatores interligados: custo da eletricidade, eficiência do hardware e preço de mercado do Bitcoin. Compreender como estes elementos se relacionam é essencial para avaliar a viabilidade financeira da mineração.
A eletricidade é o principal custo continuado, e operações lucrativas exigem tarifas abaixo de 0,05$ por kWh. Mineradores que pagam tarifas residenciais em países desenvolvidos estão em clara desvantagem face a operadores industriais com contratos energéticos especiais. Uma diferença entre 0,03$/kWh e 0,12$/kWh pode determinar se há lucro ou prejuízo.
Um Whatsminer M20S a funcionar a 0,045$/kWh pode gerar 45$ de lucro mensal, mas à tarifa residencial típica dos EUA de 0,12$/kWh o mesmo setup perde 133$ por mês. Este exemplo mostra como o custo energético pode inverter completamente a equação da rentabilidade. Diferenças pequenas nas tarifas acumulam-se ao longo do tempo, tornando a localização um dos fatores-chave para a mineração.
O local é determinante—mineradores em zonas com eletricidade barata, como o Cazaquistão, Rússia ou Islândia, têm vantagens face a quem paga preços de retalho. Estas regiões muitas vezes dispõem de excedentes de energia hidroelétrica, geotérmica ou renovável, permitindo acesso a tarifas industriais. Algumas jurisdições oferecem ainda enquadramento regulatório favorável e benefícios fiscais para a atividade.
O investimento inicial em hardware oscila normalmente entre 2 500$ e mais de 20 000$ para um setup completo, com mineradores, arrefecimento e infraestrutura. Este capital tem de ser recuperado através das receitas antes de a operação se tornar rentável. O prazo de retorno varia muito consoante a eficiência e as condições de mercado.
Recuperar o investimento pode demorar de seis meses a vários anos, dependendo do preço da eletricidade, eficiência do hardware e movimentos do preço do Bitcoin. A volatilidade do mercado acrescenta incerteza, pois oscilações do preço afetam diretamente as receitas. Um planeamento financeiro prudente exige considerar cenários em que o preço desce e a dificuldade aumenta.
O halving mais recente reduziu a recompensa de bloco para 3,125 BTC, cortando a receita dos mineradores para metade de um momento para o outro, exceto se o preço do Bitcoin subir para compensar. Estes eventos representam choques de oferta previsíveis e historicamente têm grande impacto na economia da mineração. É essencial planear a atividade considerando estas alterações e assegurar que a operação permanece viável com recompensas reduzidas.
Para a maioria dos mineradores domésticos, pagar tarifas residenciais torna a compra direta de Bitcoin em bolsa mais eficiente do que tentar minerar. A complexidade, o investimento e a gestão tornam a compra direta o caminho mais simples para a maioria das pessoas. A mineração deve ser encarada como um negócio especializado, não como passatempo casual.
Pool Mining: Participe em pools com outros mineradores para partilhar capacidade computacional e receber pagamentos regulares e proporcionais, evitando esperar anos por uma recompensa a solo. O pool mining oferece fluxos de rendimento previsíveis e reduz a variância da mineração a solo, permitindo a participação de pequenos mineradores com retornos regulares em função do hashrate entregue.
Cloud Mining: Alugue remotamente hardware de mineração sem gerir equipamento próprio, mas atenção ao número elevado de fraudes e às margens de lucro mais baixas devido às comissões dos fornecedores. O cloud mining elimina a necessidade de investimento em hardware, arrefecimento e manutenção técnica, mas o setor atrai muitos operadores fraudulentos, tornando imprescindível a devida diligência. O cloud mining legítimo implica normalmente retornos inferiores à mineração direta, devido às taxas e margens das plataformas.
Hosted Mining: Compre o seu próprio equipamento mas aloje-o em instalações profissionais, beneficiando de tarifas energéticas reduzidas e sistemas de arrefecimento especializados. Assim, mantém a propriedade do hardware e usufrui da eficiência das infraestruturas de grande escala, embora as comissões reduzam a rentabilidade final.
Compra direta de Bitcoin: Adquira Bitcoin em plataformas de câmbio, evitando custos de hardware e eletricidade. Para a maioria das pessoas, esta é a solução mais simples e económica para deter Bitcoin, eliminando a complexidade operacional, a manutenção e o conhecimento técnico exigido pela mineração.
Serviços de staking de Bitcoin: Explore formas alternativas de obter Bitcoin, como programas de empréstimo ou staking, embora apresentem riscos distintos da mineração. Várias plataformas oferecem contas remuneradas para depósitos em Bitcoin, permitindo rendimento passivo sem o investimento e gestão operacional da mineração. Contudo, estes serviços envolvem risco de contraparte e podem não garantir o mesmo nível de segurança que as soluções de auto-custódia.
Sim, a mineração de Bitcoin continua rentável em 2024, mas depende do preço do Bitcoin, custos de eletricidade e eficiência do hardware. As operações de grande escala têm vantagem, enquanto mineradores individuais enfrentam forte concorrência. Planeamento estratégico e atualização de equipamento são essenciais para retornos sustentáveis.
A mineração de Bitcoin exige hardware especializado como ASIC ou GPU. Mineradores individuais ficam com todas as recompensas, mas têm menor probabilidade de sucesso e maior risco; os pools distribuem recompensas com base no poder computacional entregue, oferecendo ganhos estáveis e risco reduzido.
O custo da eletricidade para minerar Bitcoin deve estar abaixo de 0,3 yuan por quilowatt-hora para ser rentável. Para calcular o lucro real, multiplique a produção diária de Bitcoin do seu equipamento pelo preço atual. Por exemplo, um minerador S9 gera cerca de 55 yuan de lucro diário às taxas atuais.
A dificuldade de mineração sobe à medida que a potência total da rede aumenta, impulsionada por grandes operações industriais. Para pequenos mineradores, isto significa mais concorrência, menor rentabilidade e maior necessidade de recorrer a pools para garantir viabilidade.
Os ASIC são mais indicados para minerar Bitcoin. Foram criados especificamente para esta finalidade, com maior poder de hash e menor consumo energético face a CPU e GPU.











