


O cryptojacking é atualmente uma das ameaças de cibersegurança mais furtivas da era digital, afetando milhões de utilizadores de internet em Portugal e no resto do mundo, independentemente de terem ou não ligação às criptomoedas. Este guia detalhado analisa os mecanismos, impactos e estratégias de prevenção em torno desta ameaça crescente, com especial enfoque nos ataques de cryptojacking baseados em JavaScript.
O cryptojacking é uma técnica de ciberataque maliciosa em que hackers apropriam-se secretamente dos recursos computacionais das vítimas para minerar criptomoedas em proveito próprio. Esta utilização não autorizada do poder de processamento explora o mecanismo central das criptomoedas baseadas em proof-of-work (PoW).
O ataque baseia-se no próprio processo de mineração de criptomoedas. Nos sistemas PoW, os computadores da rede resolvem problemas matemáticos complexos para validar transações e adicionar blocos à blockchain. Os mineradores legítimos recebem recompensas em criptomoeda por resolverem estes algoritmos. No entanto, os cryptojackers contornam este sistema ao instalarem malware nos dispositivos das vítimas, sem o seu conhecimento ou consentimento.
Após a infeção, o computador, dispositivo móvel ou navegador da vítima executa software de mineração em segundo plano, disponibilizando poder computacional para as operações do atacante. A vítima não recebe qualquer compensação, suportando os custos acrescidos de eletricidade sem se aperceber. Entretanto, os atacantes recolhem todas as recompensas de mineração ao direcionar o resultado computacional para servidores privados próprios. O cryptojacking é, atualmente, uma preocupação importante tanto para profissionais de cibersegurança como para utilizadores comuns, e a sua sofisticação tem vindo a aumentar.
Os cryptojackers utilizam vários métodos avançados para infiltrar dispositivos eletrónicos das vítimas e instalar malware de mineração. Os vetores de ataque mais comuns incluem ataques do tipo Trojan Horse e campanhas de phishing. Nestes casos, os atacantes disfarçam software malicioso sob a forma de ficheiros ou ligações aparentemente legítimas, levando as vítimas a descarregar e instalar o malware de mineração.
Por exemplo, uma vítima pode receber um e-mail que parece proveniente de uma fonte de confiança, contendo um anexo ou uma ligação. Ao clicar, o malware instala-se silenciosamente e inicia a mineração de criptomoeda em segundo plano. Outro método frequente é o drive-by cryptojacking, em que criminosos inserem código JavaScript malicioso em websites ou anúncios online. Quando os utilizadores visitam estas páginas comprometidas, o script de mineração em JavaScript é automaticamente carregado e executado no navegador.
Um caso real ilustrativo ocorreu quando cryptojackers conseguiram infiltrar-se em sites de grandes grupos de media, instalando código JavaScript malicioso para minerar Monero (XMR). Todos os visitantes dessas páginas contribuíam, sem o saberem, com poder computacional para a operação dos atacantes, até que especialistas de TI detetaram e removeram o exploit.
Ao contrário de ataques de ransomware ou roubo de dados, os cryptojackers normalmente não pretendem roubar dados pessoais ou extorquir as vítimas de forma direta. O seu objetivo é, sobretudo, explorar recursos computacionais de modo oculto para minerar criptomoeda, evitando os custos avultados de hardware, eletricidade e infraestrutura. O Monero é um dos alvos preferenciais devido às suas características de privacidade, que tornam as transações difíceis de rastrear na blockchain.
O impacto do cryptojacking vai muito além do incómodo, afetando tanto utilizadores individuais como infraestruturas críticas. A principal consequência é o aumento substancial do esforço de processamento nos dispositivos infetados. As vítimas enfrentam consumos energéticos mais elevados, com reflexo direto nas faturas de eletricidade, e notam uma degradação evidente do desempenho dos seus computadores ou dispositivos móveis.
O esforço constante imposto ao hardware por operações de mineração não autorizadas pode reduzir significativamente a vida útil dos dispositivos eletrónicos. Componentes como processadores e sistemas de refrigeração são sujeitos a sobrecarga, acelerando o desgaste prematuro e podendo originar avarias. Além disso, a fragilidade dos sistemas infetados pode facilitar infeções secundárias de malware ou a exploração de outras vulnerabilidades de segurança.
A ameaça vai além dos utilizadores individuais, afetando também instituições e infraestruturas críticas. Em Portugal e na Europa, entidades responsáveis pela gestão de água foram alvo de ataques de cryptojacking, desviando recursos elétricos essenciais de serviços críticos como o tratamento de águas e o controlo de esgotos. Ataques semelhantes atingiram instituições financeiras, hospitais e organizações de ensino, colocando em risco a segurança, a eficiência e a fiabilidade de serviços essenciais. Estes ataques institucionais evidenciam que o cryptojacking coloca em causa não só recursos informáticos pessoais, mas também a segurança pública e o funcionamento de infraestruturas críticas.
Detetar malware de cryptojacking implica vigilância e atenção a vários sinais de alerta, pois estes ataques são concebidos para serem discretos. Conhecer estes indicadores permite aos utilizadores identificar infeções numa fase precoce e agir rapidamente.
Um dos sintomas mais evidentes do cryptojacking é a degradação do desempenho da internet. Quando o malware de mineração, geralmente suportado em JavaScript, desvia recursos computacionais, os utilizadores experienciam páginas que demoram mais a carregar, falhas frequentes do sistema e um desempenho global mais lento do dispositivo. Nos dispositivos móveis, pode notar-se uma descarga da bateria mais rápida do que o habitual e aumentos inesperados na fatura de eletricidade devido ao funcionamento constante dos equipamentos infetados.
Equipamentos com temperaturas anormais são outro sinal claro de possível atividade de cryptojacking. A mineração de criptomoedas requer processamento intensivo, gerando calor significativo. Os utilizadores podem notar que os seus dispositivos estão mais quentes ao toque e que as ventoinhas funcionam com maior frequência e intensidade para tentar arrefecer o sistema.
Monitorizar a utilização do CPU é uma forma técnica de identificar cryptojacking. Picos anormais de atividade do processador, sobretudo ao visitar novos websites ou quando o dispositivo está inativo, podem indicar a presença de malware de mineração baseado em JavaScript. Recomenda-se consultar o gestor de tarefas ou o monitor de atividade do sistema para identificar processos que consomem recursos de CPU de forma excessiva, o que pode revelar operações de mineração não autorizadas a decorrer em segundo plano.
Existem diversas estratégias e ferramentas eficazes para proteger contra ataques de cryptojacking. Com a evolução desta ameaça, as empresas especializadas em cibersegurança desenvolveram soluções cada vez mais sofisticadas, facilmente aplicáveis para proteger recursos computacionais.
Extensões de navegador específicas para combater a mineração de criptomoedas são uma primeira linha de defesa. Ferramentas como NoMiner e No Coin monitorizam websites em tempo real e bloqueiam a execução de scripts de mineração não autorizados. Estas extensões integram-se com navegadores como o Chrome ou o Opera, garantindo proteção imediata durante a navegação. Para organizações, empresas de cibersegurança e equipas de TI podem implementar soluções especializadas à medida das necessidades institucionais.
Instalar software antivírus de elevada reputação e bloqueadores de publicidade constitui outra camada de proteção fundamental. Uma vez que os cryptojackers costumam inserir código JavaScript malicioso em anúncios publicitários, websites comprometidos e aplicações infetadas, estas ferramentas evitam que os utilizadores sejam expostos a conteúdos perigosos. A atualização regular do antivírus e dos bloqueadores é crucial para garantir proteção contra as técnicas mais recentes de cryptojacking.
A sensibilização dos utilizadores e a adoção de comportamentos preventivos mantêm-se fundamentais. Deve-se desconfiar de mensagens e e-mails suspeitos — especialmente os que solicitam ações imediatas e contêm links ou anexos — e confirmar sempre a legitimidade do remetente através dos canais oficiais antes de clicar em qualquer ligação. Os ataques de phishing continuam a ser uma das formas mais comuns de disseminação de malware de mineração.
Desativar o JavaScript nos navegadores constitui uma defesa adicional contra cryptojacking baseado em JavaScript. Muitos destes ataques dependem desta linguagem para infetar dispositivos e executar scripts de mineração diretamente no browser. Embora desativar o JavaScript possa afetar a experiência em alguns websites, os utilizadores podem gerir facilmente estas permissões nas definições do navegador, ativando-as apenas para sites de confiança. Os navegadores modernos permitem ainda configurar a execução de JavaScript por site, equilibrando segurança e funcionalidade.
O cryptojacking é uma ameaça de cibersegurança grave e em constante evolução, com impacto global, independentemente do grau de envolvimento dos utilizadores com criptomoedas. Esta prática maliciosa explora mecanismos de mineração proof-of-work para consumir recursos computacionais das vítimas, em segredo, para benefício financeiro de atacantes, resultando em custos energéticos acrescidos, perda de desempenho dos dispositivos e riscos para infraestruturas críticas.
Perceber como funciona o cryptojacking — através de técnicas como phishing, cavalos de Troia ou downloads drive-by com JavaScript — permite identificar ameaças antes de provocarem danos. Sintomas como lentidão, sobreaquecimento de dispositivos e picos anormais de utilização do CPU são sinais claros que devem levar à análise e à remediação imediata do sistema.
Prevenir o cryptojacking exige uma abordagem em várias camadas, combinando soluções técnicas e comportamento informado. A utilização de extensões anti-mineração, software antivírus atualizado, cautela com links suspeitos e a desativação de funcionalidades desnecessárias como o JavaScript, quando aplicável, reduzem significativamente o risco de infeção. Com a evolução da ameaça, é fundamental manter-se atualizado sobre as melhores práticas de cibersegurança e adotar hábitos digitais rigorosos para proteger recursos computacionais pessoais e empresariais contra mineração não autorizada, sobretudo através de exploits baseados em JavaScript.
Entre os sinais mais comuns de cryptojacking estão o sobreaquecimento do dispositivo, ruído anormal das ventoinhas, descarga acelerada da bateria, desempenho mais lento e aumento do uso do CPU sem razão aparente. Recomenda-se monitorizar regularmente a temperatura e o processamento do equipamento.
Não. A mineração de criptomoedas é legal na maioria dos países e protegida por direitos de propriedade e liberdade comercial. Contudo, a regulamentação varia consoante a jurisdição; confirme sempre a legislação local antes de iniciar atividades de mineração.
O cryptojacking utiliza sobretudo dois métodos: ataques via browser, que injetam scripts maliciosos em websites para sequestrar recursos computacionais, e ataques por malware, em que é instalado software de mineração não autorizado nos dispositivos. Ambos os métodos usam, em segredo, os recursos da vítima para gerar criptomoeda para o atacante sem consentimento.
Use software antivírus de referência e mantenha-o atualizado. Ative extensões de segurança no navegador, evite websites e downloads suspeitos, desative o JavaScript quando não for necessário, utilize bloqueadores de publicidade e faça análises frequentes ao sistema. Mantenha o sistema operativo e as aplicações sempre atualizados.
O cryptojacking afeta gravemente o desempenho dos dispositivos devido ao uso excessivo do CPU, provocando sobreaquecimento, lentidão e maior consumo de energia. Compromete a segurança ao permitir acesso não autorizado, roubo de dados e instalação de malware, tornando os equipamentos vulneráveis a novos ataques e à degradação do sistema.











