

Os derivados constituem instrumentos financeiros de longa tradição nos mercados financeiros tradicionais e, atualmente, assumem um papel central no ecossistema das criptomoedas. Os dados de mercado mais recentes evidenciam que os derivados representam biliões em volume mensal de negociação, ultrapassando 60% de toda a atividade do mercado de criptoativos. No amplo universo dos derivados cripto, os contratos futuros afirmaram-se como os principais instrumentos disponíveis nas principais plataformas de negociação de criptomoedas. O mercado de futuros estrutura-se, essencialmente, em duas grandes categorias: contratos forward e contratos futuros, cada uma dirigida a necessidades e perfis distintos de investidores.
Negociar futuros consiste em comprar e vender contratos que permitem especular sobre futuros movimentos de preços de ativos subjacentes. Estes instrumentos designam-se “derivados” porque o seu valor depende dos ativos que acompanham. Quando os investidores negoceiam forwards ou futuros, trocam obrigações contratuais relativas a ativos concretos, e não a propriedade direta dos ativos. Cada contrato de futuros estabelece parâmetros como quantidade, preço e, habitualmente, uma data de vencimento, altura em que o vendedor terá de entregar o ativo subjacente ou proceder à liquidação financeira ao comprador.
Os contratos futuros surgiram originalmente nos mercados agrícolas, onde os agricultores os utilizavam para garantir preços fixos para as suas colheitas em datas futuras acordadas. Se os futuros sobre commodities continuam relevantes, os mercados modernos abrangem hoje contratos futuros sobre praticamente qualquer ativo negociável. Os investidores podem negociar contratos futuros em diversas classes de ativos, de metais preciosos e petróleo bruto a ativos digitais como o Bitcoin (BTC) e commodities agrícolas tradicionais, como lotes de milho.
Os contratos futuros são derivados padronizados negociados sobre diferentes ativos subjacentes, incluindo petróleo e criptomoedas. Cada contrato futuro apresenta especificações pré-definidas, como quantidade do ativo subjacente, preço fixo e data de vencimento. São negociados exclusivamente em bolsas públicas reguladas e seguem termos e condições uniformes para todos os participantes. Por exemplo, um contrato padrão de futuros sobre petróleo bruto corresponde a 1 000 barris por contrato e expira em datas mensais ou trimestrais estabelecidas pela bolsa.
Os investidores que operam em futuros têm de aceitar os termos padronizados definidos pela bolsa, não existindo margem para negociação ou personalização das condições contratuais. As duas características essenciais dos contratos futuros são a padronização e a transparência. A padronização assegura uniformidade em todos os contratos do mesmo tipo, enquanto a transparência resulta da negociação em bolsa pública, onde todas as transações são visíveis e supervisionadas, reduzindo o risco de contraparte e promovendo a integridade do mercado.
Os contratos forward são igualmente acordos para comprar ou vender ativos em condições predefinidas de preço, quantidade e vencimento, mas diferenciam-se pelo seu modelo de negociação, pois não são transacionados em bolsa pública. Os contratos forward resultam de negociações privadas e são liquidados diretamente entre as partes através de operações over-the-counter (OTC). A designação OTC refere-se a qualquer transação bilateral entre duas partes, sem intermediação de bolsa.
Por serem negociados fora da infraestrutura de mercado público, os contratos forward proporcionam maior flexibilidade e anonimato na definição dos termos contratuais. As partes podem personalizar todos os aspetos do acordo, incluindo quantidades, preços e métodos de liquidação. Contudo, essa flexibilidade implica menos transparência e ausência de supervisão regulatória, ao contrário dos futuros negociados em bolsa. Quem recorre a contratos forward depende da solidez e credibilidade da contraparte para garantir o cumprimento do acordo, pois não existe compensação ou liquidação por terceiros, típica dos derivados em bolsa.
A diferença central entre contratos forward e futuros reside no local de negociação: os contratos forward são celebrados privadamente fora das bolsas, enquanto os futuros são negociados exclusivamente em mercados públicos regulados. Quem procura forwards deve negociar diretamente com instituições financeiras ou contrapartes individuais para fixar e acordar as condições contratuais. Já a negociação de futuros decorre em plataformas centralizadas que cruzam ordens de compra e venda nos horários definidos, assegurando liquidez imediata e formação de preço eficiente.
Nos contratos forward, a natureza privada permite ampla personalização dos termos. Por exemplo, as partes podem acordar negociar 1 253 barris de petróleo a uma taxa específica, divergindo do contrato padronizado de 1 000 barris típico dos futuros. A principal restrição reside na data de vencimento, que é fixa e não negociável. Como não são transacionados em bolsa, os forwards só podem ser encerrados na data de maturidade, limitando a flexibilidade para saídas antecipadas.
Os contratos futuros exigem termos claros e padronizados que viabilizem uma negociação eficiente em bolsa. Embora esta padronização limite a personalização, traz importantes vantagens em liquidez e flexibilidade. Os investidores podem abrir e fechar posições livremente durante o horário de mercado, sem esperar pelo vencimento, o que permite uma gestão dinâmica do risco e da carteira, opções indisponíveis nos forwards. Esta diferença é determinante no debate entre futuros e forwards.
As opções constituem outra categoria de derivados, com semelhanças aos contratos futuros e forward, mas de natureza distinta. Como os futuros, as opções permitem especular sobre movimentos futuros de preço dos ativos subjacentes, mas diferem fundamentalmente na estrutura de obrigações. As opções conferem ao titular o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender ativos a determinado preço até uma data específica. Já os futuros impõem obrigações bilaterais de cumprimento dos termos contratuais na data de vencimento.
Por exemplo, um investidor com uma opção de compra para 1 BTC a 25 000 $ pode exercer esse direito e adquirir Bitcoin a esse preço, independentemente do valor de mercado. Se o Bitcoin subir acima dos 25 000 $ antes do vencimento, o detentor da opção compra BTC a um valor inferior ao de mercado. Caso o preço se mantenha ou baixe, o investidor pode deixar a opção expirar, limitando a perda ao prémio pago. Em contraste, quem vende um contrato futuro de 1 BTC a 25 000 $ está obrigado a entregar o Bitcoin ou o equivalente financeiro ao comprador, na data de vencimento, independentemente das condições de mercado.
Ao ponderar entre contratos futuros e forward, os futuros são geralmente preferidos por quem procura especular sobre preços e aceder aos mercados, graças à sua liquidez e facilidade de entrada e saída em bolsa. A possibilidade de fechar posições antes do vencimento, aliada à negociação contínua durante o horário das plataformas de derivados, torna os futuros especialmente práticos para investidores ativos. Adicionalmente, beneficiam de mecanismos de compensação e liquidação em bolsa que minimizam o risco de incumprimento da contraparte. Apesar de não permitirem a personalização dos forwards, oferecem maior liquidez, transparência, regulação e segurança de contraparte.
Os forwards são adequados quando é necessária a negociação de condições específicas não possíveis nos contratos futuros padronizados. Permitem total flexibilidade na definição de quantidades, preços e métodos de liquidação, adaptando-se a necessidades únicas. Também são procurados por quem valoriza privacidade ou executa operações de grande dimensão. Detentores de posições significativas em criptomoedas, por exemplo, recorrem frequentemente a balcões OTC para transferências de elevado valor, evitando impactos no mercado ou derrapagens de preço que ordens avultadas poderiam causar em bolsa. Contudo, os participantes devem avaliar cuidadosamente o risco de contraparte, geralmente mais elevado do que nos contratos futuros compensados em bolsa.
Compreender a diferença entre contratos futuros e forward é fundamental para operar eficazmente nos mercados de derivados, tanto tradicionais como de criptomoedas. Ambos são instrumentos essenciais, adequados a necessidades e perfis de risco distintos. Os futuros garantem padronização, transparência, liquidez e proteção regulatória, sendo ideais para quem procura exposição ao mercado com risco de contraparte reduzido. Os forwards oferecem personalização, privacidade e flexibilidade para transações específicas, exigindo, porém, avaliação rigorosa da contraparte devido ao risco acrescido.
Dominar estas diferenças fundamentais—locais de negociação, níveis de padronização, liquidez e perfis de risco—permite selecionar o instrumento derivado mais adequado aos objetivos, tolerância ao risco e necessidades de acesso ao mercado. À medida que o mercado de derivados evolui, sobretudo nas criptomoedas, ambos os tipos de contratos mantêm relevância, facultando ferramentas de descoberta de preço, gestão de risco e posicionamento especulativo. Ao optar entre futuros e forwards, o investidor deve ponderar as suas necessidades, perfil de risco e metas operacionais para identificar o instrumento mais ajustado à sua estratégia.
Os contratos forward são acordos privados e personalizados entre duas partes, sem câmara de compensação. Os contratos futuros são padronizados, negociados em bolsa e regulados, sendo a liquidação assegurada por uma câmara de compensação.
Um exemplo de contrato futuro é o compromisso de comprar petróleo bruto a 65 $ por barril quando o preço de mercado é 60 $. Trata-se de um acordo padronizado que fixa preço e data de entrega futura para ambas as partes.
Os contratos futuros são pouco flexíveis e limitam o potencial de ganhos. Implicam obrigações fixas de compra ou venda a preços definidos, comportam riscos elevados de alavancagem e requerem gestão ativa e manutenção constante de margem.
Empresas, investidores e operadores utilizam contratos futuros e forward para cobrir riscos ou especular sobre movimentos de preços. Os hedgers protegem-se de variações desfavoráveis, enquanto os especuladores visam lucrar com as flutuações de mercado.











