
O Bitcoin, lançado em 2009 sob o pseudónimo Satoshi Nakamoto, revolucionou o setor financeiro ao introduzir a moeda digital descentralizada e a tecnologia blockchain. Uma das suas características mais relevantes é o limite máximo de 21 milhões de moedas, uma decisão de design que estabelece a escassez digital e influencia o modelo económico do ativo. Saber quantos Bitcoins estão em circulação, como são distribuídos e o que sucede após a mineração do último Bitcoin é essencial para perceber a viabilidade e o valor desta criptomoeda pioneira a longo prazo.
Até ao final de 2025, a rede Bitcoin já disponibilizou mais de 19,8 milhões de moedas. Esta emissão controlada é assegurada por um mecanismo denominado “halving”, conceito inscrito no protocolo do Bitcoin por Nakamoto. O halving é o pilar da política monetária do Bitcoin, regulando a introdução de novas moedas e impondo um calendário de emissão previsível e progressivamente reduzido.
O halving realiza-se a cada quatro anos—ou, com maior rigor, a cada 210 000 blocos adicionados à blockchain—e altera profundamente o sistema de incentivos dos mineradores. Na génese do Bitcoin, a recompensa era de 50 BTC por bloco. Em conformidade com as regras do código-fonte, esse valor tem vindo a ser reduzido para metade em cada halving. Desde abril de 2024, o prémio por bloco é de 3,125 BTC, prevendo-se novo halving para 2028.
Este mecanismo deflacionista serve objetivos essenciais: controla a taxa de inflação do Bitcoin, evitando os riscos de depreciação típicos das moedas fiduciárias, e replica a lógica de escassez dos metais preciosos, como o ouro. O sistema regula o fluxo de novas moedas e consolida a escassez como base do seu modelo económico—um sinal de maturidade económica e de compromisso com a estabilidade e o valor do Bitcoin enquanto ativo digital.
Com mais de 19,8 milhões de Bitcoins em circulação, restam cerca de 1,2 milhões de moedas para extrair até atingir o limite de 21 milhões. Acompanhar a quantidade de Bitcoins em circulação é determinante para avaliar a escassez e a dinâmica do mercado. A mineração do último Bitcoin, estimada para 2140, será um momento decisivo que transformará o ecossistema Bitcoin.
O impacto mais imediato será o fim das recompensas de mineração. Atualmente, os mineradores recebem Bitcoins recém-criados. Quando o teto de 21 milhões for atingido, não haverá novas emissões, terminando este modelo de incentivos. O sistema passará então para um modelo assente exclusivamente nas taxas de transação, que serão a única fonte de rendimento dos mineradores responsáveis por validar e registar transações na blockchain.
Esta mudança levanta questões críticas sobre a segurança da rede e a permanência dos mineradores. O desaparecimento das recompensas pode reduzir o número de participantes, caso as taxas não cubram os custos operacionais, nomeadamente energia e hardware. Uma diminuição do poder computacional poderia afetar a segurança da rede. Contudo, fatores como o aumento do valor do Bitcoin, maior volume de transações e avanços tecnológicos podem mitigar esse risco.
Uma resposta importante passa pela adoção da Lightning Network, uma solução layer-2 que permite transações fora da cadeia principal, acelerando operações e reduzindo custos. Esta inovação é crucial para a escalabilidade do Bitcoin, tornando-o viável para pagamentos diários e reforçando o seu potencial como moeda digital de uso global. A Lightning Network pode acrescentar valor e aceitação ao Bitcoin, sobretudo num cenário baseado apenas em taxas de transação.
A mineração de Bitcoin é a base da rede, exigindo grande capacidade computacional para resolver problemas matemáticos, validar transações e proteger a blockchain. O tempo necessário para minerar um Bitcoin depende de fatores como o hardware, o hashrate global e o nível de dificuldade da rede.
A dificuldade de mineração ajusta-se automaticamente a cada duas semanas para garantir a produção de um bloco a cada dez minutos, mantendo a estabilidade do sistema. Mineradores com maior poder computacional, individualmente ou em pools, têm maior probabilidade de obter recompensas.
Os eventos de halving têm impacto direto na economia da mineração ao reduzirem progressivamente as recompensas. O prémio inicial de 50 BTC por bloco já passou por várias reduções, estando em 3,125 BTC desde 2024. O próximo halving, previsto para 2028, baixará essa remuneração para cerca de 1,5625 BTC. Estes cortes afetam a rentabilidade, podendo excluir operações menos eficientes e impulsionar a inovação e a eficiência entre os mineradores que permanecem.
Apesar de mais de 19,8 milhões de moedas já terem sido distribuídas, muitas encontram-se inacessíveis ou fora de circulação ativa. Uma fatia relevante destes Bitcoins está considerada permanentemente perdida, reduzindo a oferta disponível no mercado. Esta escassez não intencional contribui para a valorização do ativo e sublinha a importância das boas práticas de segurança em criptoativos.
As principais causas para a perda de Bitcoins são o esquecimento ou extravio de chaves privadas, tornando impossível a recuperação das carteiras. Como não existe entidade central, os Bitcoins nessas condições ficam permanentemente inacessíveis. O envio para endereços errados ou não reclamados, aliado à imutabilidade das transações na blockchain, também resulta em perdas irreversíveis. Avultam ainda os casos de falhas de hardware, erros de software ou dispositivos corrompidos sem backup adequado.
O impacto no mercado é significativo: a perda efetiva de Bitcoins reduz a oferta circulante, criando uma escassez artificial que potencia o valor de mercado. Estima-se que cerca de 4 milhões de Bitcoins—aproximadamente 20% do total minerado—estejam irremediavelmente perdidos. Esta realidade reforça a necessidade de responsabilidade individual no ecossistema descentralizado e de práticas rigorosas de segurança na gestão de carteiras digitais, como backups, uso de hardware wallets e gestão cuidada de chaves.
A trajetória do Bitcoin foi marcada por vários episódios mediáticos de roubo, com repercussões profundas no setor das criptomoedas. Estas falhas de segurança impactaram o valor de mercado e redefiniram os padrões de proteção e gestão de risco da indústria.
Um dos casos mais emblemáticos foi o ataque a uma grande exchange em 2014, com a perda de cerca de 850 000 BTC, avaliados em centenas de milhões de dólares na altura. Esta falha expôs debilidades graves nas infraestruturas centralizadas, levando ao colapso da plataforma e à quebra de confiança dos investidores em todo o mundo. O episódio evidenciou os riscos inerentes às plataformas centralizadas.
Outro incidente relevante ocorreu em 2016, quando hackers sofisticados exploraram vulnerabilidades em contas multi-assinatura, roubando 120 000 BTC. Este evento provocou volatilidade imediata e debate intenso sobre as melhores práticas de segurança, demonstrando que até soluções tecnológicas avançadas podem ser vulneráveis.
Os efeitos destes roubos não se limitaram às perdas financeiras diretas. Cada incidente gerou forte volatilidade e quebras de preço, ao mesmo tempo que impulsionou melhorias de segurança em toda a indústria. Em resposta, a comunidade passou a adotar encriptação mais avançada, protocolos de segurança de carteiras reforçados e sistemas de validação de transações mais robustos.
A sensibilização aumentou, promovendo o uso de hardware wallets e boas práticas na proteção de chaves privadas. O setor continua a inovar, investindo em blockchains mais seguras e plataformas descentralizadas para mitigar riscos de concentração. Estes esforços refletem o compromisso do setor em aprender com incidentes passados e proteger eficazmente os ativos digitais dos utilizadores.
O percurso do Bitcoin, desde 2009 até se afirmar como principal criptomoeda mundial, ilustra o impacto de um desenho monetário inovador aliado à blockchain. Com mais de 19,8 milhões dos 21 milhões de Bitcoins já em circulação, o modelo de escassez e a dinâmica de mercado tornam-se claros. Aproxima-se uma fase crucial, com apenas 1,2 milhões de moedas por minerar. O mecanismo de halving garante o carácter deflacionista, replicando a escassez dos metais preciosos, e a conclusão da mineração, prevista para 2140, irá transferir os incentivos económicos para as taxas de transação.
Os desafios do futuro do Bitcoin—como os cerca de 4 milhões de moedas perdidas, incidentes de roubo e a transição para um modelo baseado em taxas—são equilibrados pela inovação contínua, nomeadamente a Lightning Network e o reforço da segurança. Com uma oferta fixa, adoção global crescente e evolução tecnológica, o Bitcoin consolida-se como reserva de valor e meio de troca. A sua capacidade de adaptação, mantendo os princípios de descentralização e segurança, será determinante para o seu sucesso enquanto instrumento financeiro disruptivo. Compreender todos estes fatores, sobretudo a quantidade efetiva de Bitcoins em circulação, é fundamental para analisar o papel do Bitcoin nas finanças digitais e o seu potencial impacto na economia global.
Quando todos os 21 milhões de bitcoins forem minerados, não serão criados novos. Os mineradores passarão a depender exclusivamente das taxas de transação, o que está previsto para acontecer por volta de 2140, garantindo a escassez e sustentabilidade do Bitcoin.
Cerca de 1% dos principais detentores concentra aproximadamente 90% de todos os bitcoins em circulação, incluindo grandes investidores e instituições, refletindo uma distribuição desigual da riqueza em bitcoin.
Em dezembro de 2025, mais de 19 milhões de bitcoins já tinham sido minerados, o que representa mais de 90% do limite de oferta de 21 milhões.
O total de bitcoins corresponde ao limite máximo de 21 milhões de BTC. Os bitcoins em circulação são os BTC já minerados e ativamente transacionados, valor inferior ao total devido à mineração em curso e à existência de moedas perdidas.
Prevê-se que todos os 21 milhões de bitcoins sejam minerados até cerca de 2140. A mineração prosseguirá até essa data; depois, não serão criados novos bitcoins e os mineradores dependerão apenas das taxas de transação.









