

O Bitcoin (BTC) tornou-se uma das principais criptomoedas do século XXI, mantendo relevância mesmo diante de fortes oscilações de preço ao longo dos anos. Com a oferta limitada a 21 milhões de moedas, entender como a propriedade está distribuída—especialmente entre grandes detentores, conhecidos como “baleias”—é fundamental para analisar o funcionamento do mercado e o grau de concentração de influência da criptomoeda.
Satoshi Nakamoto, pseudônimo do criador do Bitcoin cuja identidade permanece desconhecida, é considerado o maior detentor de BTC. Estima-se que Nakamoto possua pelo menos 1 milhão de BTC em milhares de carteiras de criptomoedas, equivalendo a cerca de 5% do total de Bitcoins existentes.
A trajetória de Nakamoto no universo Bitcoin começou em 2008, com a publicação do whitepaper "Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System". Em seguida, Nakamoto lançou a rede Bitcoin em 2009, baseada no algoritmo de consenso Proof-of-Work (PoW). Esse sistema inovador estabelece uma competição entre computadores que, a cada 10 minutos, disputam para resolver problemas matemáticos complexos; o vencedor adiciona um novo bloco validado de transações ao registro descentralizado da blockchain.
Para incentivar a participação e a segurança da rede, Nakamoto criou um sistema de recompensas que distribui novos BTC aos mineradores bem-sucedidos por meio das “recompensas de bloco”. Em 2009, o valor era de 50 BTC a cada 10 minutos. Para garantir escassez e controlar a inflação, o sistema realiza o evento de “halving” a cada quatro anos, reduzindo pela metade essa recompensa. Nos primeiros tempos do Bitcoin, em 2009, quando poucos conheciam a criptomoeda, Nakamoto era praticamente o único minerador e acumulava esses prêmios. Segundo empresas especializadas em análise de criptomoedas, Nakamoto reuniu essa grande quantidade de BTC em diferentes carteiras antes de se afastar do projeto, em dezembro de 2010. Apesar de relatos de movimentações entre suas carteiras, não há registros de vendas confirmadas desse acervo.
Muitos endereços relevantes de carteiras de Bitcoin permanecem anônimos, mas alguns indivíduos revelaram publicamente grandes volumes de BTC, tornando-se figuras de destaque no universo cripto.
Cameron e Tyler Winklevoss, conhecidos pelo embate judicial contra Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, usaram sua notoriedade para se consolidar como influentes defensores das criptomoedas. Relatórios apontam que suas reservas de Bitcoin continuam expressivas, demonstrando convicção no potencial do ativo a longo prazo.
Tim Draper, investidor reconhecido no setor de tecnologia, é um dos apoiadores mais ativos do Bitcoin. Sua aquisição mais famosa foi via leilão: ele comprou mais de 29.500 BTC do governo dos EUA, após a apreensão da criptomoeda oriunda do Silk Road, antigo marketplace online ilegal.
Executivos de grandes exchanges de criptomoedas também acumularam posições relevantes em Bitcoin ao longo dos anos. Muitos pioneiros e líderes do setor converteram parte significativa de seu patrimônio em BTC, firmando-se como alguns dos mais dedicados entusiastas do Bitcoin.
A adoção corporativa do Bitcoin acelerou nos últimos anos, com grandes empresas acumulando tesouros significativos de BTC como parte de suas estratégias financeiras.
A MicroStrategy lidera as companhias listadas em bolsa em volume de Bitcoin, com reservas expressivas. Sob o comando do CEO Michael Saylor, um dos maiores defensores do Bitcoin, a MicroStrategy transformou sua estratégia de tesouraria, priorizando o acúmulo de BTC como ativo de reserva e ampliando sua posição continuamente.
A Tesla, empresa referência em automóveis, inteligência artificial e energia limpa sob liderança de Elon Musk, mantém participação em Bitcoin, apesar de vender parte de suas reservas ao longo dos anos. O balanço da Tesla ainda inclui BTC, mostrando o interesse da companhia em criptomoedas como ativo estratégico diversificado.
Exchanges centralizadas de criptomoedas naturalmente mantêm grandes volumes de BTC em suas tesourarias para suportar as operações, reforçando sua importância como infraestrutura essencial do ecossistema cripto.
Block (ex-Square), fintech norte-americana fundada por Jack Dorsey, passou por uma reestruturação estratégica em 2021 para reforçar seu foco em blockchain. As reservas de Bitcoin da Square são parte central da estratégia da Block, que aloca volumes expressivos de BTC em seu tesouro. Essa posição representa um investimento corporativo relevante, sinalizando confiança no papel do Bitcoin no futuro das finanças. Além das soluções de pagamento para comerciantes, a Block mantém e amplia suas reservas de Bitcoin, consolidando-se entre as fintechs mais destacadas no acúmulo corporativo de BTC.
A posse governamental de Bitcoin tornou-se um fenômeno relevante na adoção de criptomoedas, com vários países acumulando reservas principalmente por meio de apreensões judiciais.
Os Estados Unidos estão entre os governos com maiores reservas de Bitcoin, com volumes expressivos de BTC—uma parcela considerável do total em circulação. A maior parte dessas reservas vem de apreensões judiciais, incluindo confiscos de mercados ilegais como o Silk Road, além de outras operações federais.
A China mantém reservas governamentais relevantes de BTC, mesmo com restrições rigorosas ao comércio de criptomoedas. As reservas chinesas resultam principalmente de operações contra atividades ilegais online, criando um cenário de acúmulo significativo de ativos digitais pelo governo.
A Bulgária ganhou notoriedade internacional ao anunciar possuir mais Bitcoin que reservas de ouro físico, resultado de operações bem-sucedidas contra organizações criminosas e apreensão de grandes volumes de BTC.
El Salvador é caso singular: primeiro país a reconhecer o Bitcoin como moeda oficial, em 2021. Diferentemente de outros países, que acumulam via apreensões, El Salvador realiza compras regulares de BTC para formar suas reservas, conforme a “Lei Bitcoin”, ampliando sua posição como estratégia financeira nacional.
A adoção da rede Bitcoin segue em expansão, com empresas especializadas monitorando o aumento do número de participantes. O total de endereços de carteira de Bitcoin aumentou consideravelmente nos últimos anos, com mais carteiras contendo 1 BTC ou mais.
Porém, é difícil determinar o número exato de pessoas que possuem Bitcoin, já que usuários podem criar múltiplos endereços de carteira. Esse aspecto técnico dificulta identificar indivíduos únicos e múltiplos endereços sob uma única titularidade. Apesar desse desafio, os dados disponíveis apontam para o crescimento da adoção de criptomoedas, embora o valor total de mercado ainda seja muito menor que o das instituições financeiras tradicionais.
Analistas de blockchain estimam que a posse de criptomoedas está em expansão global, com centenas de milhões de pessoas detendo ativos digitais. Índices mundiais de adoção destacam países da Ásia, Europa Oriental e América do Norte como regiões com altas taxas de posse, refletindo padrões diversos motivados por condições econômicas, regulatórias e tecnológicas distintas.
A propriedade de Bitcoin é concentrada entre grupos estratégicos que desempenham papéis distintos no ecossistema. Satoshi Nakamoto permanece como maior detentor individual, com cerca de 1 milhão de BTC, inativos desde 2010. Entre os nomes conhecidos, os irmãos Winklevoss, Tim Draper e executivos de exchanges são grandes investidores privados que endossam publicamente o potencial do Bitcoin.
A adoção corporativa ganhou força com MicroStrategy, Tesla, grandes exchanges e Block, que incorporam o Bitcoin em suas tesourarias e sinalizam crescente confiança institucional. As reservas de Bitcoin da Square mostram como fintechs enxergam a criptomoeda como ativo estratégico. O crescimento das reservas corporativas sinaliza mudança na postura do mercado frente aos ativos digitais.
Governos também detêm reservas significativas, principalmente por meio de apreensões judiciais, com destaque para Estados Unidos, China e Bulgária. El Salvador, primeiro país a adotar o Bitcoin como moeda oficial, representa abordagem alternativa de política pública.
Apesar do aumento de endereços de Bitcoin, o número real de detentores individuais permanece incerto devido à multiplicidade de carteiras. Mesmo assim, a adoção mundial de criptomoedas segue em expansão, sem atingir ainda a penetração dos mercados tradicionais. A distribuição do Bitcoin—de baleias anônimas a investidores individuais—segue evoluindo e moldando o papel da moeda digital nas finanças globais.
Em 2025, a MicroStrategy segue como a maior detentora corporativa de Bitcoin, com mais de 200.000 BTC. O Grayscale Bitcoin Trust está logo atrás. Entre os países, os Estados Unidos lideram, com cerca de 198.000 BTC.
James Howells, que descartou acidentalmente um HD com as chaves privadas de bitcoins atualmente avaliados em US$800 milhões. Desde então, ele tenta comprar o aterro para recuperar o equipamento.
O 1% dos maiores detentores de Bitcoin possui 90% de todos os bitcoins. Essa concentração permanece restrita a uma minoria dos proprietários globais de BTC.





