
Determinar se uma criptomoeda é halal ou haram é crucial para investidores, negociadores e utilizadores muçulmanos que pretendem alinhar as suas atividades financeiras com os princípios islâmicos. Os muçulmanos representam cerca de 24% da população global e mostram um interesse crescente na participação na economia digital, mantendo, ao mesmo tempo, os seus valores éticos e religiosos. Esta tendência evidencia a necessidade de harmonizar as práticas financeiras com a jurisprudência islâmica, assegurando que investimentos e operações económicas permaneçam permitidos do ponto de vista religioso.
Algumas criptomoedas são concebidas especificamente para respeitar a lei islâmica. OneGram, lançada em 2017, destaca-se por ser garantida por, pelo menos, um grama de ouro físico por token, proporcionando um ativo estável e não especulativo que cumpre a proibição islâmica de gharar (incerteza, risco excessivo e especulação).
A Islamic Coin, reconhecida como halal por determinados estudiosos muçulmanos, está a registar maior adoção entre instituições financeiras islâmicas. A sua estrutura garante que as transações decorrem num enquadramento ético, evitando atividades proibidas como o jogo e o riba. Esta criptomoeda tem vindo a ganhar tração significativa no Médio Oriente e Sudeste Asiático, regiões com grandes comunidades muçulmanas que procuram soluções financeiras compatíveis com a Sharia.
Os avanços na tecnologia blockchain permitiram transações financeiras mais transparentes e seguras, alinhando-se com os princípios islâmicos que visam minimizar o gharar. As características essenciais da blockchain—descentralização, registos imutáveis e segurança—apresentam formas eficazes de reduzir a incerteza e o risco em comparação com os sistemas financeiros tradicionais.
Dados recentes do Islamic Finance Resource Board revelam que cerca de 10% dos ativos financeiros islâmicos globais já se encontram em formato digital, incluindo criptomoedas compatíveis com a Sharia. O relatório regista igualmente um crescimento contínuo da adoção de ativos digitais certificados como halal nos últimos anos, sublinhando a crescente importância e aceitação destas soluções nas comunidades muçulmanas.
Segundo um inquérito da Global Islamic Finance Magazine, a maioria dos investidores muçulmanos demonstra maior propensão para investir em criptomoedas se estas forem certificadas como halal por estudiosos islâmicos de referência. Estes dados demonstram o peso da conformidade religiosa nas decisões de investimento no universo muçulmano.
A avaliação da halalidade de uma criptomoeda é complexa e depende das suas características e do seu propósito. Para ser considerada halal segundo a lei islâmica, a criptomoeda deve cumprir os seguintes critérios:
O aparecimento de moedas digitais compatíveis com a Sharia, como a OneGram e a Islamic Coin, indica um futuro promissor para a integração dos valores islâmicos com a tecnologia financeira moderna. Investidores e utilizadores muçulmanos devem consultar estudiosos islâmicos especializados para obter pareceres sobre a conformidade Sharia de criptomoedas específicas.
Com a evolução do setor financeiro digital, a integração dos valores islâmicos com a tecnologia blockchain deverá desempenhar um papel determinante na promoção da inclusão financeira dos muçulmanos a nível global. O alinhamento dos princípios financeiros islâmicos com as criptomoedas oferece uma via relevante para a participação dos muçulmanos na economia digital mundial sem comprometer os seus valores éticos e religiosos.
A permissibilidade das criptomoedas no Islão depende da sua utilização. Se forem usadas em transações legítimas, sem fraude ou jogo, são geralmente permitidas. Contudo, a participação em práticas proibidas como gharar ou maysir torna-as haram segundo alguns estudiosos.
As criptomoedas compatíveis com a Sharia pautam-se pela lei islâmica, excluindo riba (juros), gharar (incerteza excessiva) e maysir (jogo). Ao contrário das criptomoedas convencionais, os ativos Sharia-compliant privilegiam a transparência, a finalidade definida e a exclusão de setores proibidos. Bitcoin e Ethereum são considerados compatíveis com a Sharia devido à sua tecnologia base.
As escolas islâmicas divergem na abordagem às criptomoedas. A maioria recusa devido ao risco elevado e à ausência de regulamentação, enquanto algumas aceitam cripto regulada e com suporte em ativos. As diferenças centram-se na adequação da cripto como dinheiro islâmico e na sua natureza especulativa.
O investimento em cripto deve obedecer à Sharia, evitando atividades proibidas e assegurando transparência e justiça. Os ativos digitais não podem envolver riba, especulação excessiva ou práticas ilícitas para serem considerados halal pela lei islâmica.
Criptomoedas como o Bitcoin e o Ethereum podem ser consideradas halal, desde que não envolvam juros (riba), evitem incerteza excessiva (gharar), sejam utilizadas para investimento de longo prazo e excluam atividades proibidas. É essencial consultar estudiosos islâmicos qualificados para obter orientação autoritativa.











