


A mineração de criptomoedas consiste em gerar novas moedas numa rede blockchain, através da inclusão de blocos conforme regras específicas. Os mineradores executam esta tarefa em troca de recompensas em moedas digitais, que podem optar por investir ou beneficiar, caso se valorize.
O Bitcoin é a criptomoeda mais relevante para mineração. A sua mineração exige a resolução de problemas matemáticos complexos, com recurso a elevada potência computacional. Os mineradores podem utilizar hardware especializado de mineração de Bitcoin ou aderir a pools de mineração em cloud, onde os recursos computacionais são partilhados.
A análise islâmica sobre mineração de criptomoedas é complexa e alvo de debate. Alguns estudiosos autorizam-na enquanto serviço remunerado — validando transacções em troca de recompensa —, enquanto outros a proíbem pela ausência de activo real subjacente que suporte a moeda digital.
Na Arábia Saudita, o Conselho dos Grandes Ulemás não emitiu qualquer fatwa definitiva sobre mineração ou negociação de criptomoedas. Alguns membros, no entanto, partilharam opiniões pessoais. Sheikh Abdullah Al-Manea, membro do conselho, considera as moedas digitais proibidas, por vários motivos: não são trocadas directamente, não têm lastro em ouro ou prata, podem envolver transacções usurárias e são emitidas sem supervisão governamental.
No Conselho dos Grandes Ulemás de Al-Azhar, vários especialistas e economistas analisaram as criptomoedas e a mineração em seminários e fatwas, alertando para riscos económicos e religiosos importantes nestas actividades, desde a incerteza excessiva e falta de conhecimento até à ausência de regulação financeira ou legal.
O site Islam Q&A afirmou numa fatwa anterior que as transacções em Bitcoin envolvem ambiguidade e risco, tornando o investimento religiosamente desaconselhável até serem esclarecidas a sua natureza e proveniência. Outra fatwa do site abordou as criptomoedas de forma mais ampla, concluindo que a negociação é permitida desde que sejam respeitadas condições religiosas — como a troca imediata e a posse efectiva —, evitando práticas proibidas como negociação com margem.
O IslamWeb referiu numa fatwa que as empresas envolvidas na mineração de Bitcoin e outras criptomoedas enfrentam desafios religiosos relativos à origem destas moedas. A Academia de Jurisprudência Islâmica, ligada à Organização de Cooperação Islâmica, analisou o tema em seminários científicos e confirmou que permanecem por resolver questões legais centrais.
Sheikh Abdul Aziz Ibn Baz — que Allah lhe conceda misericórdia — não emitiu qualquer fatwa sobre moedas digitais ou mineração, pois faleceu antes do surgimento desta tecnologia. Ainda assim, a sua abordagem às matérias financeiras privilegiava sempre o que é lícito, evitando transacções com risco excessivo, usura ou prejuízo para os muçulmanos.
Estudos jurídicos islâmicos recentes indicam que a mineração em cloud é uma forma de investimento digital para aquisição de criptomoedas, dependendo a sua admissibilidade religiosa do tipo e método aplicados.
A mineração em cloud hospedada ou virtual assemelha-se a um contrato de aluguer de equipamentos ou servidores. O minerador paga a um intermediário para utilizar máquinas ou servidores de mineração, sendo considerada uma prática permitida.
A mineração em cloud por hash power configura uma parceria em actividades lícitas e, segundo a opinião dominante, é igualmente permitida, desde que se cumpram os requisitos religiosos.
Existe consenso entre os estudiosos de que a mineração em cloud é proibida quando associada a práticas suspeitas, como esquemas em pirâmide, referências duvidosas ou contratos sem transparência e equidade na distribuição dos lucros.
Estudos jurídicos esclarecem que a mineração em cloud é permitida se cumprir estes critérios religiosos:
Os pareceres religiosos sobre criptomoedas e mineração apresentam diferentes opiniões sobre a sua permissibilidade, com base em critérios e condições específicos. Não existe consenso entre os estudiosos para permitir ou proibir todas as criptomoedas; muitos defendem a análise individual de cada activo digital, em função da sua natureza, projecto e conformidade com as orientações religiosas.
Os estudiosos contemporâneos dividem-se quanto ao Bitcoin. Alguns proíbem-no devido aos riscos, origem pouco clara e falta de garantias oficiais, equiparando-o ao jogo. Outros permitem-no se for tratado como mercadoria transaccionável. Diversas autoridades religiosas — entre as quais entidades de fatwa do Egipto, Jordânia, Kuwait, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Qatar, e membros do Conselho de Grandes Ulemás da Arábia Saudita — emitiram pareceres proibindo transacções de Bitcoin.
Entre os argumentos apontados:
Dado que a maioria das autoridades de fatwa se inclina para a proibição, a mineração de Bitcoin é igualmente tida como proibida pela lei islâmica.
De acordo com a Islamic Union Association, o dólar digital (USDT) distingue-se do Bitcoin e de outras criptomoedas; não é possível minerar USDT, pois é emitido exclusivamente pela Reserva Federal dos EUA ou entidades autorizadas, sob supervisão oficial. O USDT é essencialmente parte do dólar fiduciário, criado para facilitar transacções e negociação mais célere.
Assim, a sua classificação religiosa é idêntica à das moedas fiduciárias aprovadas. É permitido negociar USDT desde que devidamente licenciado.
O XRP é a moeda digital da rede Ripple, uma plataforma global para pagamentos rápidos, fiáveis e operações de câmbio, validando transacções entre partes. A Ripple disponibiliza serviços legítimos — como transferências, financiamento de operações e conversão de moedas — sem indícios de actividades suspeitas ou proibidas. Com base em estudos religiosos e na opinião de estudiosos, não existem violações no uso de XRP, sendo um activo digital permitido.
As análises sobre Dogecoin (DOGE) mostram que não envolve serviços suspeitos ou proibidos na sua estrutura ou uso, sendo uma moeda digital permitida. Alguns estudiosos consideram que o DOGE pode ser detido ou negociado, desde que se cumpram orientações religiosas gerais — evitando risco excessivo e transacções usurárias.
No que toca à mineração de DOGE, a sua classificação segue a das restantes criptomoedas e varia entre permitida e proibida, consoante o respeito pelos padrões legais islâmicos.
A mineração é, por natureza, um investimento legítimo quando o indivíduo aluga poder de mineração ou utiliza infra-estrutura própria em troca de um benefício claro (recompensa de mineração), à semelhança de contratos de locação permitidos pela lei islâmica, desde que a transacção esteja livre de risco excessivo e usura.
A mineração torna-se usurária ou proibida em situações como:
Por conseguinte, a mineração pode ser classificada como investimento lícito ou usura proibida, dependendo da empresa, moeda e estrutura contratual.
À negociação de criptomoedas aplicam-se as mesmas regras religiosas da negociação de qualquer moeda, desde que o activo digital seja permitido e isento de proibições religiosas. Contratos de negociação válidos exigem:
As opiniões dos estudiosos dividem-se quanto à legitimidade da mineração digital. Alguns permitem-na enquanto investimento lícito, baseado no esforço e recompensa, desde que livre de usura, risco excessivo e transacções suspeitas. Outros proíbem-na devido aos riscos, incerteza e ausência de garantias oficiais das criptomoedas. O parecer depende do tipo de moeda, do mecanismo de mineração e do respeito pelos padrões islâmicos, nomeadamente transparência e exclusão de usura e jogo.
Não existe uma posição islâmica unificada sobre criptomoedas. Os estudiosos discordam — alguns proíbem, outros admitem a sua permissão. Nenhum país baniu moedas digitais por razões religiosas, pelo que os investidores muçulmanos devem consultar estudiosos caso a caso.
A mineração faz uso eficiente dos recursos para proteger redes e validar transacções, configurando um investimento produtivo e não desperdício. O Islão encoraja o investimento e a produção com benefício social.
Sim, as escolas islâmicas têm avaliações diferentes sobre mineração. Shafi'i, Maliki e outras apresentam interpretações distintas, mas o entendimento predominante é que a mineração é permitida, desde que cumpridos critérios de intenção e equidade.
Os lucros da mineração não configuram usura, pois resultam de trabalho lícito. O Islão proíbe a usura como ganho injusto, enquanto a mineração é actividade produtiva e permitida segundo a lei islâmica.
É necessário evitar usura, jogo e práticas proibidas. Todos os contratos devem estar em conformidade com a sharia, assegurando transparência nas operações e respeito pelos padrões éticos islâmicos.
Os estudiosos islâmicos apresentam visões divergentes sobre mineração de criptomoedas. Alguns consideram-na um investimento legítimo se for transparente e livre de usura; outros proíbem-na devido ao risco elevado e ausência de suporte em activos tangíveis. Não existe consenso definitivo.
Sim, a mineração ética é compatível com os princípios islâmicos. O Islão valoriza o trabalho honesto e o uso responsável dos recursos, requisitos da mineração ética. A actividade deve ainda respeitar as comunidades locais e preservar o ambiente em linha com os valores islâmicos.










